Reparos de grades do BRT são constantes por conta de roubos e depredações

Mais de 1.200m da estrutura foram repostas em 5 meses. Devido ao vandalismo, gradil é reforçado no Transcarioca

Por O Dia

Rio - No caminho do Transcarioca, vandalismo e furto. O gradil do corredor de ônibus, que foi inaugurado há cerca de seis meses, tem passado por reparos todos os dias. Ladrões e pedestres dispostos a furar o bloqueio de metal que separa a pista exclusiva do BRT se transformaram numa dor de cabeça para a prefeitura. Somente neste mês, 80 metros de grades foram roubados da divisória, na Avenida dos Campeões, em Bonsucesso. Um perigo, porque, passageiros usam as brechas que ficam à margem da via para cortar caminho até o outro lado da calçada.

Para tentar frear a ação desses grupos, a Secretaria municipal de Conservação (Seconserva) pediu ajuda para a Polícia Militar. Isso porque a situação tem se agravado a cada dia. Há relatos dos fiscais da prefeitura, inclusive, da presença de um homem que roda o corredor com um alicate no bolso, para quebrar as estruturas.

Funcionários da Comlurb fixam braçadeiras no gradil do BRT%3A “resultado tem sido positivo”%2C disse secretário de Conservação%2C Marcus BelchiorDivulgação

Desde a inauguração do corredor, em junho, até novembro, quando começou o trabalho de reposição da estruturas de metal, a prefeitura contabilizou 650 grades quebradas ou roubadas. Isso representa pouco mais de 1.200 metros — quase três vezes a altitude do Pão de Açúcar (396 metros) — ao longo do corredor Transcarioca. O BRT liga a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão) e tem 40 quilômetros.

A prefeitura ainda não conseguiu calcular o tamanho do prejuízo. De acordo com o secretário da Conservação, Marcus Belchior, os bairros de Madureira, Vicente de Carvalho e Vila da Penha são onde os vândalos mais atacam. “A gente imagina que os 80 metros tiveram fins comerciais, foram vendidos. Mandamos um ofício para a Polícia Militar, mas sabemos que o trabalho é desafiador. Tem aquela pessoa que tira o gradil, com um alicate, para fazer o caminho irregular, mas tem o que carrega para vender mesmo”, denunciou o secretário.

Por nota, a Polícia Militar informou que está trabalhando em conjunto com a Secretaria municipal de Conservação, em busca de soluções para melhorar os serviços prestados. “O policiamento de rua realizado é de forma dinâmica, com o apoio de viaturas, motocicletas e a pé, adaptando o reforço diariamente, de acordo com os registros da mancha criminal”.

Belchior disse que, apesar do trabalho rotineiro de manutenção, o que mais preocupa é que os pedestres correm o risco sem o gradil. “As pessoas que atravessam a pista, num lugar onde não tem um gradil, se esquecem que o ônibus vem a 30, 40 quilômetros por hora. Não é só a questão do roubo, do vandalismo é o risco que os pedestres correm”, disse.

Ladrões agem em Madureira

Se bandidos e vândalos não dão trégua, a prefeitura estuda medidas para tentar impedir novos roubos e que as grades sejam arrebentadas e destruídas. Braçadeiras de metal foram instaladas em 25 pontos ao longo do corredor Transcarioca, entre as estações Otaviano, localizada na Avenida Ministro Edgar Romero, e Manaceia, que fica no Viaduto Negrão de Lima, ambos em Madureira. As estruturas ‘amarram’ os pilares nas grades e dificultam a remoção do material do roubo.

De acordo com secretário municipal de Conservação, Marcus Belchior, essas braçadeiras estão em teste desde o início de janeiro “e o resultado tem sido bastante positivo”. A colocação das estruturas está sendo feita com a ajuda dos funcionários da Comlurb, já que é a Companhia de Limpeza Urbana que tinha as braçadeiras. Elas já eram utilizadas para fazer a fixação das lixeiras nos postes da cidade.

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