Por bianca.lobianco
Rio - Quem se espanta com Marcelo Odebrecht ter ‘doado’ 10 milhões ao PMDB a pedido de Temer?! Não estamos falando do Crime do Padre Amaro. Nessa terra de corrupção endêmica, todos sabem que ninguém sobrevive do salário dos cargos. Embora os valores assustem, é pouco para o padrão de vida dos queridos parlamentares e suas esposas consumistas — mais filhos gastões e os agregados.
Se o Planalto e a Câmara decidiram enfrentar a Lava Jato e o STF, foi Ave Renan, o Imperador do Senado, quem começou com a moda. Transformou o órgão dos acórdãos em órgão de ‘acordões’ e se saiu como o verdadeiro Supremo da situação. O STF se curvou em nome da instabilidade do país. Agora é a vez do presidente da Câmara versus ministro Fux, que devolveu o projeto anticorrupção desfigurado. Cármen Lúcia não recebeu quem foi à porta reclamar e bateu martelo: só em fevereiro.
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Delações não são provas, são pistas que levam às provas. O dinheiro era vivo, a propriedade dos imóveis é laranja, e doações tinham apelidos, debochando dos meliantes. A negação é mecanismo de defesa para se proteger diante da evidência dos fatos. Na política, na polícia e na justiça, a prática é recorrente mas o mecanismo é ineficaz; não se sustenta. O transgressor quer se safar, destruir a verdade de que o crime não compensa e que ele, o esperto, vai se safar! “Nosso crime não compensa.” Certo, Cazuza?
Lula grita, não admite ser indiciado, diz que tudo é mentira, que evidências não são provas! Não são, mas existem. É fato e questão de tempo, esperamos. Ofendido ao velho estilo, descredencia testemunhas mas não se sustentará quando vier à tona a delação do Marcelo, revelando o caminho que levará às provas.
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As declarações parlamentares seguem o estilo “ninguém conhece ninguém”, são ilações e aleivosias e teses rotas. Tem papel assinado? Não! Sem corpo não há crime, palavra de detido não vale. Só um porém: e as próximas eleições? Com caras de bonzinhos, prometendo o que não vão cumprir, desta vez não serão eleitos. A memória do povo está clara. Escuro? Só o passado. Espero que as urnas do futuro estampem a realidade de que hoje fogem. Será a condenação do povo o grande Supremo Tribunal da nação!