Processo de desinflação para 2016 ainda não é suficiente, diz diretor do BC

O diretor de Política Econômica, Luiz Awazu Pereira da Silva, reiterou ainda que a política monetária deve ficar vigilante

Por O Dia

Brasília - A principal mensagem do Relatório de Inflação divulgado nesta quarta-feira é que a política monetária deve manter-se vigilante para assegurar a convergência da inflação ao centro da meta no fim de 2016, afirmou nesta quarta-feira o diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva.

Awazu disse também que o objetivo reiterado da política monetária é impedir a transmissão da inflação para 2016 e prazos mais longos. Ele ressaltou ainda que a alta dos preços está cada vez mais convergindo para 4,5% pelo IPCA, centro da meta do governo, no ano que vem, apesar da inflação corrente mais alta.

"O cenário de convergência da inflação para o nosso objetivo, 4,5%, em 2016 tem, de fato, se fortalecido", afirmou o diretor em coletiva de imprensa para comentar o Relatório de Inflação divulgado mais cedo.

"Mas, quero frisar, os avanços alcançados no combate à inflação... ainda não se mostram suficientes", acrescentou, argumentando que as ações do BC têm surtido efeito.

Pelo documento, o BC reduziu ligeiramente sua previsão sobre a inflação em 2016, mas ainda acima do centro do meta, argumentando que as expectativas para o próximo ano continuam não ancoradas, num sinal de que o aperto monetário deve ser mais intenso.

Hoje a Selic está em 13,75% ao ano e vários especialistas já acreditam que ela possa subir mais 1 ponto percentual para domar a alta dos preços.

O IPCA surpreendeu em maio ao acelerar a alta a 0,74%, acumulando em 12 meses 8,47%. A prévia para o desempenho do índice em junho continuou mostrando pressão, com o IPCA-15 subindo 0,99% neste mês, a maior alta para junho em quase 20 anos

Por diversas vezes, o diretor fez questão de destacar que o BC vai perseguir a convergência da inflação para a meta em 2016 e que esse processo já começou, mas que era preciso manter as atuais políticas monetária e fiscal em curso.

Segundo ele, apesar de as expectativas para 2017 a 2019 estarem ancoradas em 4,5 por cento, para 2016 ainda há "desvio relevante". Mas ressaltou que o processo de "desinflação" é cada vez mais convergente para o centro da meta em 2016, apesar da maior inflação corrente.

Ele também chamou a atenção de que é preciso monitorar o repasse da alta recente do dólar sobre o real para a inflação no próximo ano. A moeda norte-americana subiu cerca de 16 por cento neste ano até a véspera.

O diretor do BC ressaltou que o cenário internacional ainda é complexo e que é preciso se preparar para o processo de normalização da política monetária do Federal Reserve, banco central norte-americano.

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