Sabrina Petraglia diz nunca ter sofrido grandes injustiças

Já sua personagem Shirlei 'vai do céu ao inferno' em 'Haja Coração'

Por O Dia

'Aprendo muito com Shirlei. Ela olha no espelho e não vê a deficiência%2C enxerga a menina cheia de sonhos'%2C disse a atrizRodrigo Lopes / Divulgação

Rio - A atriz Sabrina Petraglia é tão doce quanto sua Shirlei da novela ‘Haja Coração’. Mas também é firme ao falar e defender a personagem que mudou completamente sua vida. “Ela não é uma coitada. Não é a mocinha perfeita, mas é a mocinha mais humana”, conclui Sabrina, dizendo estar satisfeita com sua primeira grande personagem na TV: “Quero continuar fazendo televisão, mas sempre vou me abastecer no teatro”, diz a atriz de 33 anos, que começou nos palcos aos sete.

Shirlei é a filha caçula de Francesca (Marisa Orth), irmã de Tancinha (Mariana Ximenes), Carmela (Chandelly Braz) e Giovani (Jayme Matarazzo). Tão bonita quanto as irmãs, a feirante tem uma deficiência na perna que a faz mancar, o que já afetou muito sua autoestima. Sabrina diz que por conta de Shirlei tem se comunicado não só com portadores de deficiência física, como também, com meninas fora do ‘padrão’ físico socialmente cobrado, que enviam mensagens para ela.

“Algumas meninas gordinhas vieram falar comigo, dizendo que se sentem olhadas pelos outros como se tivessem deficiência. Esse olhar ‘crítico’ para o diferente é ruim, machuca. Também troco mensagens com outras com deficiências físicas similares a da Shirlei. Consulto sobre coisas, como por exemplo, aonde dói se ela for ficar o dia todo em pé numa feira.Tento pegar sensações com elas, que me inspiram. Estou feliz de representar essas pessoas”, revela.

A personagem vem crescendo na trama das sete, e conseguiu realizar o sonho de viver um amor — no caso, com Felipe (Marcos Pitombo), que gosta dela como é. Mas a felicidade de Shirlei está bastante ameaçada. No capítulo de ontem, depois de cair numa armadilha planejada pela a ex-namorada de Felipe, Jéssica (Karen Junqueira), a personagem foi presa, e por tabela, perdeu o namorado.

“Ela vai ficar desesperada. Vai do céu ao inferno. O Felipe vai ajudá-la, mas a Jéssica vai chantageá-lo, e para não piorar a situação da Shirlei, ele termina. Ela vai se sentir abandonada”, conta Sabrina.

O futuro de Shirlei e Felipe é incerto, mas a paulista diz que a torcida pela feirante e contra as injustiças sofridas por ela, é enorme: “O público se solidariza. Todos sabem o que é sentir na pele algum tipo de injustiça. Da menor à maior. As pessoas têm mania de fazer julgamentos sobre os outros. Aprendo muito com a Shirlei. Ela olha no espelho e não vê a deficiência, enxerga a menina cheia de sonhos”.

Sabrina diz que nunca sofreu grandes injustiças, mas admite que julgamentos tendem a ser ruins. E isso, ela conhece. A paulista conta que o fato de fazer uma personagem clássica do autor Silvio de Abreu (a Shirlei foi criada por ele para a novela ‘Torre de Babel’, 1998, e foi interpretada pela atriz Karina Barum), faz com que ela se cobre e avalie seu trabalho com mais rigor. “As críticas podem ser boas ou ruins, mas precisamos não nos deixar afetar negativamente. Claro que fico pensando se estou correspondendo à expectativa do Silvio, do Daniel Ortiz (autor) que me tirou do teatro para fazer TV. Isso me importa”, afirma a atriz, que também é formada em jornalismo.

Aliás, Sabrina lembra que tinha medo de seguir o ofício cênico, por conta da instabilidade de trabalhos na profissão. “Tentei não ser atriz, mas isso me escolheu. Comecei a trabalhar com cultura no jornalismo, porque me aproximava, de certa forma, da atriz. Mas teve uma hora que me vi amargurada. Fui fazer teatro, a vocação falou mais alto”, confidencia.

Sabrina construiu sua carreira aos poucos, fazendo escolhas conscientes. “Quando fui fazer minha primeira novela no SBT tive medo, era cria de teatro. A grana era boa e fui. Fiz grande amizades. Fazer TV é muito bom porque tem essa aproximação das pessoas e eu sou povo”, admite.

Ela não é deslumbrada e nem quer ser. Está feliz com os rumos da carreira, mas pontua que não deseja mudar sua essência, que é a da menina criada em São Paulo, com velhos amigos da infância e muito ligada à família. “Sou louca pelos meus pais, que sempre me apoiaram e sustentaram meu sonho até eu me bancar. Ainda quero dar uma vida boa para eles”, diz a atriz, que quando vai para casa dos pais, gosta de viver de forma simples, inclusive ajudando o pai quando pode no comércio que ele tem na cidade. “ A TV é uma fábrica de sonhos. Se acreditarmos na ilusão, estamos ferrados. Sonhar é ótimo, mas sou uma atriz de ofício e quero continuar sendo. No posso perder de vista o porque de fazer isso tudo”, esclarece com maturidade.

A atriz se define como alguém que constrói coisas, tem sonhos, mas não pressa. A prova disso é que namora há cinco anos Ramón Velásquez, que mora há três no Chile. “ Somos parceiros e nos apoiamos. Ele é engenheiro e estava melhor para ele lá”, conta.

Dentro das próximas ‘construções’, está o casamento com Ramón ano que vem. “Vamos casar. Somos fechados um com o outro, isso é algo precioso. Ele está voltando para isso. Não pensamos em filhos ainda, mas sou família e quero construir a minha, que é para onde sempre voltamos”.

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