Ousadia no mundo do samba

Projeto que revolucionaria cenário das 42 escolas das séries B, C e D está nas mãos do prefeito

Por O Dia

Rio - Um projeto ousado que reúne Carnaval, esporte, educação e habitação, capaz de revolucionar o atual cenário de 42 escolas de samba das séries B, C e D, está nas mãos do prefeito Eduardo Paes para ser analisado. A Passarela Popular do Samba, também conhecida no meio como Cidade do Samba 3, já está pronta no papel. O projeto independente, elaborado em conjunto por dois arquitetos, um designer e um especialista em economia do Carnaval, prevê a pista do desfile junto aos barracões e a criação de casas, praça de atletismo e até shopping.

Além da Passarela Popular, o Planeta do Samba Mirim, idealizado para abrigar barracões das 18 escolas infantis, também está com a concepção definida. Na quarta-feira, a Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (AESCRJ), que cuida dos interesses desses três grupos, vai lançar o logotipo da nova Passarela.

Escolas de samba mirins estão na expectativa do Planeta do Samba%2C idealizado para abrigar barracões das 18 escolas perto do SambódromoCarlos Moraes / Agência O Dia

“Não vamos descansar até ver a Cidade do Samba 3 sair do papel. Já passou da hora de essas escolas ganharem um espaço digno para trabalhar”, declarou o presidente da associação, Moises Fernandes, que vai recorrer ao governo estadual para a assinatura de um termo de compromisso. “Queremos aproveitar as eleições para conseguir patrocínio”, completou. Eduardo Paes, através da sua assessoria, afirmou que também analisa o projeto para as escolas mirins.

Há 25 anos, as 42 escolas das séries B, C e D desfilam na Estrada Intendente Magalhães, em Campinho. Mas se a Cidade do Samba 3 virar realidade, Deodoro pode ser o novo endereço. “Seria o bairro ideal, pois aproveitaríamos a mobilidade urbana com o BRT e os trens. Sem contar que Deodoro vai virar o centro das atenções com a Rio-16”, apontou um idealizador do projeto, Luiz Carlos Prestes Filho.

O transporte das alegorias, principal problema das agremiações, ganhará ponto final com a criação da passarela, já que os barracões serão no mesmo lugar da pista de desfile. “Damos nó em pingo d’água todo carnaval com a logística”, criticou Reinaldo Bandeira, presidente da União de Jacarepaguá, da série B.

Deodoro pode ser o local que abrigará a Passarela Popular do SambaReprodução

Espaço poderá servir para corridas devido ao formato oval da pista de desfiles

A concepção da Passarela Popular do Samba vai além do Carnaval. O arquiteto Edmundo Souto, um dos responsáveis pelo projeto, acredita que o espaço também poderá servir para o automobilismo, por conta do formato oval da pista de desfiles. “A cidade terá um espaço completamente adequado para corridas automobilísticas, com direito a arquibancadas cobertas. Seria maravilhoso trazer a interação do esporte para o Carnaval”, opina Souto, que assina o trabalho junto com outro arquiteto Ephim Shulger e o designer Hans Donner.

De um lado, a Cidade do Samba 3 conta com os barracões, palco para shows, restaurante e museu. Do outro, há casas, ginásio, piscina, praça de atletismo e shopping. “A ideia é que o lugar se transforme no pólo do Carnaval, com programações o ano todo”, defende o arquiteto.

Já a ideia do Planeta do Samba Mirim, que seria construído próximo ao Sambódromo, pelo fato de as escolas desfilarem na Sapucaí, é que, além dos 18 galpões das agremiações , haja ainda um espaço multiuso, um auditório e uma biblioteca. Para Camila Soares, presidente da Pimpolhos da Grande Rio e uma das idealizadoras do projeto, ao lado da arquiteta Márcia Veiga, o local tem como premissa ser uma escola do Carnaval.

“Temos que pensar no Carnaval como uma ferramenta de estudo. É preciso debater seu desenvolvimento para chegar em uma conclusão de como esta produção precisa retornar para as agremiações. Nada melhor do que começar isso nas escolas mirins”, explicou Camila, que criticou a falta de investimentos da prefeitura. “Nós só somos lembrados na época da festa. Investem no sambódromo, mas as escolas não recebem nada em troca. Não dá para fazer um desfile sozinho. A falta de preocupação do poder público é muito triste”, completa Camila.