Juliana Caldas conta que chorou com as ofensas que sua personagem ouve em cena

Atriz estreante na TV e uma das grandes apostas do autor Walcyr Carrasco em ‘O Outro Lado do Paraíso’

Por O Dia

Juliana Caldas (Estela) em 'O Outro Lado do Querer'Divulgação

Rio - Hoje, dia 25 de outubro, é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Preconceito Contra as Pessoas com Nanismo. A acondroplasia, o tipo mais comum de nanismo, acomete cerca de 250 mil pessoas em todo o mundo. Entre elas está a Juliana Caldas, atriz estreante na TV e uma das grandes apostas do autor Walcyr Carrasco em ‘O Outro Lado do Paraíso’, novela da Globo. “Vamos falar da rejeição da mãe com a filha, que tem nanismo, e tudo o que o portador dessa condição passa. A rejeição acontece, sim. Se não acontece dentro da família, acontece na sociedade. Existe rejeição, sim! Felizmente, eu não vivi preconceito em minha casa. Mas tem preconceito, sim, infelizmente!”, desabafa Juliana.

SUPERMERCADO

Filha de mãe com estatura mediana e pai com nanismo, Juliana tem 30 anos e mede 1,22m. “Não sofri preconceito na escola, na minha rua, nunca. Minha mãe nunca adaptou nada na minha casa. Ela fazia eu me virar e ao mesmo tempo aprender, porque o mundo não ia se adaptar a mim. Era tipo: ‘Que pena, né? Então, vamos lá, se vira’”, diz com orgulho.

A atriz conta que sempre precisa de ajuda e que não tem vergonha em pedir uma forcinha. “Fazer mercado é um terror. Eu odeio fazer mercado. Eu não gosto mesmo. E as vezes os produtos estão lá no alto, sabe? Eu sou independente. Eu tenho que aceitar que as vezes eu preciso da ajuda das pessoas. E eu aceito. Eu moro em São Paulo, com o  eu irmão, e na minha casa eu troco o chuveiro! Você vai apendendo essas coisas”, enumera com orgulho.

TRAMA

Na novela das 21h da Globo, Estela (Juliana) é filha caçula de Sophia (Marieta Severo) - que também é mãe de Gael (Sergio Guizé) e Lívia (Grazi Massafera). A matriarca nunca aceitou bem o fato da filha ser anã e por isso a despachou para estudar na Suíça. E sempre que pôde, fez de tudo para manter a moça longe. Com o retorno de Estela, Sophia não disfarça o incômodo de ter a filha de volta. “Mesmo ela percebendo a rejeição da mãe, a Estela ama aquela mãe. E acredita que é recíproco, mas que a mãe não sabe lidar com isso”, defende.

Marieta Severo (Sophia) e Juliana Caldas (Estela)Divulgação

EMOÇÃO

Juliana diz que mesmo tendo estofo profi ssional e tendo passado por preparações para viver a personagem, foi difícil ouvir as palavras duras da personagem de Marieta Severo. “Dói muito! Teve uma vez que eu ouvi a Marieta falar, que fiquei mal. Ela começou falar coisas absurdas, eu comecei a chorar, sentindo aquilo que ela estava falando, continuei fazendo a cena. No final, a Marieta veio chorando, porque para ela também doeu falar. Marieta é uma dama. Um amor de pessoa. Ela disse: ‘Me desculpe’. Foi tudo lindo. Era isso que a gente precisava”, derrete-se Juliana, que confessa que a ficha demorou a cair quando teve que contracenar com Marieta e seu núcleo. “Eu tive crises de nervosismo por muito tempo. Olhar para esse elenco, com Fernanda Montenegro, Lima Duarte, etc. Eu falei pra mim assim: ‘Cara, o que eu estou fazendo aqui?’”, brinca.

CRIANÇA

Com uma carreira consolidada há mais de dez anos, como atriz de teatro infantil, Juliana lembra que já chegou a ser confundida por crianças. “A criança achava que eu era criança. Elas me chamavam para brincar. Eu ficava brincando com elas, e não ficava com os adultos. O respeito vem daí, desde criança. O que me deixa muito chateada é que o pai, em vez de ensinar, faz o contrario. Ele dá risada, aponta”, afirma ela, que também é modelo de moda inclusiva.

LEGADO

Para a intérprete, a personagem Estela é forte, inteligente e romântica. Na história, ela se encantará com o gentil e charmoso Amaro (Pedro Carvalho), um comprador de esmeraldas.

“O amor para a Estela é bem-vindo, como é para todo mundo”, despista aos risos. Juliana diz ainda que espera que o atual trabalho lhe abra novas portas na Globo. Mas não apenas isso. “Espero que abra oportunidades para todos, porque existem outros pequenos que são atores também.

E seria interessante não só na Globo, mas em qualquer outro lugar: outra emissora, produtoras. Que elas nos vejam primeiro como atores e depois como anões. O ator dá vida a outras pessoas. Na sociedade temos anões advogados, médicos, e claro que quero que também que haja essa visibilidade. E mais respeito pelo nosso trabalho”, frisa. 

SAIBA O QUE É ACONDROPLASIA

“É uma condição genética congênita em que o crescimento ósseo normal está comprometido. A acondroplasia é causada por uma mutação no gene FGFR3, um dos responsáveis pelo crescimento ósseo, fi cando impedida a transformação da cartilagem em osso”, explica a doutora Paula Vasconcellos, integrante da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM).

Últimas de Televisão