Sérgio Malta: gatos na energia, todos pagam a conta

Mais de 8% do consumo do mercado elétrico brasileiro é feito de forma irregular

Por O Dia

Rio - Furto de energia é crime previsto no Artigo 155 do Código Penal, com pena que pode variar entre dois e oito anos de prisão. A lei, contudo, não impede a prática, que cresce com a crise econômica, pesa na conta dos bons consumidores e põe em risco a vida de milhões de pessoas no Brasil. Quem faz uma ligação clandestina fica exposto a uma rede energizada sem segurança, a descargas elétricas, a curto circuito.

Todo mundo perde com o furto de energia, mesmo aqueles que acham que estão ganhando alguma coisa. O popular “gato de luz” não cresce apenas em comunidades mais carentes, mas também em áreas comerciais, em mansões e em prédios públicos. Mais de 8% do consumo do mercado elétrico brasileiro é feito de forma irregular. E soma R$ 8 bilhões em prejuízo, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Uma fiscalização em ligações elétricas, promovida recentemente no Rio de Janeiro, constatou que em cerca de metade dos medidores inspecionados havia ligações clandestinas de energia. Calcula-se um prejuízo de bilhões de reais por ano com as ligações irregulares de energia elétrica.

Um valor que é pago por todos os consumidores. Se os gatos não existissem a conta de luz da Cidade do Rio de Janeiro poderia ser até 18% mais barata.  No país, o volume de energia roubado diariamente daria para iluminar todo o Estado de Santa Catarina e seus sete milhões de habitantes.

As distribuidoras da Região Norte concentram o maior número de fraudes. Para se ter uma ideia, a Amazonas Energia, controlada pela estatal Eletrobrás, vê regularmente 32,5% da energia que injeta nas linhas de transmissão do estado ser consumida por instalações ilegais.

Seguir o certo é o melhor, mais seguro e o que menos pesa no bolso. As comunidades carentes podem sempre recorrer à tarifa social. Além do perigo das descargas elétricas manejadas clandestinamente o custo social do “gato” é enorme. O consumo consciente e adequado torna a nossa conta mais barata e o manejo e a utilização das redes elétricas pela sociedade mais seguras. Vamos comprar esta ideia!

Sérgio Malta é presidente do Conselho de Energia da Firjan

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