Caçadores de sonhos olímpicos: maturidade de Ana Marcela Cunha

Ela é uma grande aposta de medalha na Olimpíada do Rio

Por O Dia

Rio - Com apenas 16 anos, Ana Marcela Cunha se viu numa Vila Olímpica repleta de estrelas nos Jogos de Pequim (2008). De pertinho, acompanhou a festa em torno do nadador Cesar Cielo após a conquista do ouro nos 50m livre na piscina do Cubo D’Água, na capital chinesa. Quatro anos depois, no entanto, a nadadora teve de se conformar em não conseguir a vaga nos 10km da maratona aquática para a Olimpíada de Londres.

Ana Marcela Cunha é outra esperança de medalha para o Brasil na OlimpíadaReprodução Internet

Hoje, aos 22 anos, bem mais experiente, ela lida com o favoritismo para representar o Brasil nos Jogos do Rio, em 2016, após ter garantido matematicamente o tricampeonato da Copa do Mundo (2010, 2012 e 2014). Ana Marcela só precisa largar na etapa da China, em outubro, para confirmar o título.

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“Lembro que na seletiva para a Olimpíada de 2008 me chamaram de zebra, ninguém esperava que eu me classificasse. O que mais marca, com certeza, é quando você entra na Vila e vê os astros da Olimpíada, o Kobe Bryant, o Michael Phelps. O Cesão (o nadador Cesar Cielo) tinha feito história. Estava uma loucura”, recorda Ana Marcela, que ficou em quinto lugar em sua estreia nos Jogos.

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Ana Marcela Cunha fez história na ItáliaReprodução Internet

Mas a nadadora não conseguiu se classificar para Londres (2012) e transformou aquela frustração em aprendizado.

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“Amadureci bastante. Tento ver o lado positivo e acabei aprendendo da forma mais dura”, admite.

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A decepção fez Ana Marcela repensar a sua rotina e melhorar a preparação. Uma das mudanças na vida da atleta baiana veio na alimentação, incorporando saladas ao cardápio e deixando o tradicional acarajé de lado. O acompanhamento da psicóloga Carla Di Pierro também ajudou muito.

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“Foi difícil depois que perdi a vaga para a Olimpíada. Você se dedica tanto para conseguir aquela classificação e vem uma frustração. Mas tem que passar por cima disso”, ensina.

Agora, mais forte mentalmente, ela vive grande fase e desembarca quarta-feira no Brasil depois de ter feito história na Itália. Ana Marcela se tornou, no domingo, a primeira brasileira a conquistar a Travessia Capri-Nápoles, percorrendo 36km com o recorde de 6h24min45s.

Para aguentar essa rotina intensa de treinos e competições, ela elege o alto astral como um dos seus pontos fortes: “Faço o que eu amo e isso se reflete no meu dia a dia.”

1 - O Brasil receberá a Olimpíada dois anos depois de ter sido sede da Copa do Mundo de futebol. Competir em Copacabana faz diferença para você?

A seletiva para a Olimpíada será um ano antes e essa vai ser uma grande diferença, já que teremos um ano de trabalho até a competição. Na Seleção de futebol, os jogadores tiveram pouco tempo juntos. Mas ajuda, sim, quando chego ao fim da prova e penso que a família está toda lá.

2 - Você foi uma surpresa em Pequim (2008) e agora já aparece entre as favoritas para 2016, mesmo sem a vaga garantida. Como convive com isso?

Já lidamos com isso. No ano passado, no Mundial de Barcelona, fiquei em segundo e a Poliana (a brasileira Poliana Okimoto) em primeiro. Hoje, somos referências e estamos entre as melhores do mundo, o que nos dá mais tranquilidade, enquanto outras atletas estão correndo atrás disso. Isso não me traz mais pressão.

3 - A menos de dois anos para os Jogos do Rio, como você administra a ansiedade para competir em casa?

Eu penso primeiro em pegar a vaga e, depois, vou pensar em como será o dia da prova e em conquistar uma medalha também. Aprendi bastante e treino sempre passo a passo, objetivo a objetivo. Aprendi em Londres e não quero ver a Olimpíada pela tevê. Só se for a reprise (risos).

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