Magic Paula lembra homenagem de Fidel Castro no Pan de 1991: 'Momento marcante'

Seleção brasileira se sagrou campeã da competição nos anos 1990

Por O Dia

Rio - A imagem de Fidel Castro encantado com a atuação de "Magic" Paula e da "Rainha" Hortência na final dos Jogos Pan-Americanos de 1991, em Havana, é tão importante para o basquete feminino do Brasil quanto o título mundial de 1994 ou as duas medalhas olímpicas, de 1996 e 2000. Neste sábado, Paula lembrou daquela cena para homenagear o líder, morto na noite de sexta-feira.

"Morre Fidel Castro. Este foi um dos momentos mais marcantes da nossa geração", postou Paula, no Twitter, compartilhando imagem em que ela e Hortência estão ao lado de Fidel no pódio do Pan.

"No pódio, durante a entrega das medalhas, o Fidel chamou a mim e a Hortência de brujas (bruxas), mas a vitória foi de toda a equipe. Ele era mais um incentivo a favor delas. Foi muito gentil da parte dele descer de seu camarote para parabenizar nossa equipe. Só deu mais valor ao nosso título", lembrou Paula, em entrevista ao site da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), no ano passado.

Foi liderada por Fidel que Cuba se tornou uma potência esportiva, especialmente no beisebol e no boxe, suas paixões. Antes da revolução de 1959, os cubanos somavam apenas 13 medalhas olímpicas, sendo 12 delas na esgrima, graças ao fenômeno Ramón Fonst.

Hortência%2C Fidel e "Magic" Paula na final dos Jogos Pan-Americanos de 1991Reprodução Twitter

Com o incentivo à prática esportiva nas escolas, Cuba passou a colher os frutos desse investimento 12 anos depois, quando as primeiras gerações formadas na Cuba socialista chegaram ao esporte de alto rendimento. No Pan de Cali, em 1971, o país caribenho ganhou 105 medalhas, sendo 31 de ouro.

Nos Jogos Olímpicos seguintes, em Munique, em 1972, Cuba já conquistou oito medalhas olímpicas. Nem o boicote aos Jogos de 1984 e 1988, no ápice de suas desavenças com os Estados Unidos, frearam o esporte cubano. Em 1992, em Barcelona, foram 31 medalhas.

Quando Fidel deixou o poder, há 10 anos, Cuba viu seu desempenho esportivo regredir. Foram só 15 medalhas em Londres e 11 no Rio, sendo seis no boxe e três na luta, modalidades na qual segue como referência.

Atletismo e judô também foram ao pódio, EM uma síntese do que foi o esporte cubano desde a chegada de Fidel ao poder. Juntas, essas quatro modalidades deram 172 das 220 medalhas olímpicas do país. Não à toa, estão entre as mais baratas de serem praticadas

MARADONA

O Centro Internacional de Salud La Pradera uniu para sempre duas das mais carismáticas figuras públicas latino-americanas contemporâneas. Foi lá que Diego Maradona se tratou da dependência de cocaína, em 2000, e onde conheceu Fidel Castro. A partir dali, os dois se tornariam amigos próximos e Maradona passaria a ser figurinha carimbada no país caribenho, onde morou por quatro anos.

Neste sábado, Maradona lamentou a morte do líder cubano, comparando a perda de Fidel à de seu pais. "Depois da morte dos meus velhos, essa é a maior dor. Porque quando na Argentina havia clínicas que me fecharam as portas, porque queriam a morte de Maradona, Fidel me abriu as portas de Cuba, de coração. O revolucionário número um foi Che, com Fidel na cabeça. Eu venho no pelotão de trás", afirmou, em entrevista ao canal fechado argentino Tyc Sports.

Mais de uma vez o craque argentino disse que só está vivo graças a Fidel, ainda que, no passado, a imprensa argentina tenha publicado reportagens dando conta de que Maradona consumia drogas mesmo dentro da clínica onde se recuperava em Cuba.

Hoje o ex-jogador se diz livre dos vícios. Ele está em Zagreb, torcendo pela Argentina na final da Copa Davis, de tênis, contra a Croácia. "É um dia horrível. Morreu o maior, o maior sem nenhuma dúvida. É muito chocante e muito terrível porque ele foi como meu segundo pai", lembrou. "Vivi quatro anos em Cuba e Fidel me chamava às duas da manhã para tomarmos um mojito e falarmos de política, ou de esportes, ou de qualquer coisa que acontecesse no mundo, e eu estava sempre disposto a falar. Essa é lembrança mais bonita que me resta", contou.

De acordo com Maradona, os dois não se viam há três anos. "Quando entrei, ele disse: 'Veio se despedir de mim, né?'. 'Não, maestro', respondi, gritando, porque ele me pegou de surpresa como se um saque do Del Potro tivesse acertado meu peito. Comecei a chorar porque talvez ele tivesse mais razão do que eu"

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