Parecia a Alemanha: Ronda massacra Bethe e nocauteia brasileira em 34 seg

Evento contou com derrota dos irmãos Nogueira e duas finais do TUF de tirar o fôlego

Por O Dia

Rio - 'Desejo a todas as inimigas vida longa', assim dizia a música escolhida por Bethe Correia para entrar no octógono. E o pedido pareceu uma ordem, na madrugada deste domingo, na Arena HSBC, Barra da Tijuca. Ronda Rousey entendeu o recado, em bom português e, para variar, encurtou o combate. A americana precisou de apenas 34 segundos para encurralar a adversária na grade e nocauteá-la com requinte de crueldade. Vida longa para a campeã peso-galo do Ultimate. Um massacre que vai entrar para a história do MMA feminino.

O evento também coroou dois novos campeões do TUF Brasil. Reginaldo Vieira venceu Dileno Lopes por decisão unânime e levou o título dos pesos-galos. Entre os leves, Glaico França bateu Fernando Açougueiro e se consagrou. Quem não teve sorte foram os irmãos Nogueira. Rodrigo Minotauro teve coração, mas não resistiu ao gigante holandês Stefan Struve, por três rounds. E Maurício Shogun derrotou Rogério Minotouro em uma luta com resultado polêmico.

Ronda Ronsey se emociona com vitóriaInovafoto

Um princípio de confusão chamou a atenção nas arquibancadas da arena. Dois homens discutiram e quase saíram no tapa, mas foram impedidos pelo campeão peso-pena do UFC José Aldo. O manauara se intrometeu e evitou o pior. O torcedor estava mesmo com a corda toda. Por varias vezes durante o card principal, insultou a presidenta Dilma e cantou 'sou brasileiro com muito amor'.

Veja abaixo um resumo das lutas do card principal:

Peso-palha: Cláudia Gadelha x Jessica Aguilar

Gadelha usou bem sua maior envergadura, marcava a distância com o jab e conectava o direto no rosto da mexicana. As duas começaram numa trocação acelerada, mas aos poucos o duelo ganhou cadência. A brasileira encurtava a distância, aplicava jab, direto, joelhada e saía. Jessica Aguilar dava brechas. Atenta, Claudinha trocou a base, ameaçou golpear, mas pegou firme no double leg. Por cima, ela tentou o mata-leão, mas o tempo se esgotou.

Com o rosto cortado, Jessica parecia sucumbir ao cansaço. Claudia não dava trégua. Aplicou jab, cruzado e balançou a adversária. Jessica então se distanciou, mas a brasileira foi atrás. Pressionou a rival contra a grade e conseguiu a queda. Mas pouco depois a luta voltou de pé. A exemplo do primeiro, o segundo round era todo da brasileira. Claudia usava bem os os jabs de encontro e o cruzado castigava o rosto de Jessica.

A mexicana entrou para o R3 com o espírito de matar ou morrer. Mas a terceira opção parecia mais óbvia. Claudia não perdeu o foco, continuou trocando com naturalidade e magoando a adversária. Jessica chegou a catar uma perna da brasileira, mas a defesa de Claudia estava em dia. Faltando menos de um minuto para o fim, a atleta da Nova União pegou o double leg e caiu por cima. Mas não havia tempo para mais nada: vitória de Claudia Gadelha por decisão unânime dos jurados (30 a 27).

"A Jessica foi uma excelente oponente, eu quero lutar com as melhores e ela é uma delas. Eu quero agradecer a todo mundo que veio aqui me assistir. Dana White, faça a minha luta com a Joanna (campeã peso-palha). Eu sou a melhor do mundo e quero o meu cinturão", decretou Claudinha Gadelha.

Gadelha conseguiu vitória sobre AguilarReuters

Peso-pesado: Antônio Pezão x Soa Palelei

Com três derrotas e um no contest (luta sem resultado) nos últimos quatro combates, Antônio Pezão entrou no cage disposto a provar que merece permanecer no maior evento do mundo. Do outro lado, o australiano de mão pesada possui bom retrospecto recente e transformaria o confronto numa guerra. Palelei tomou a iniciativa e tentou derrubar o brasileiro. Com boa defesa de queda, Pezão se manteve em pé e os dois voltaram à trocação. Pezão arriscou e soltou um chute frontal que passou raspando do rosto do rival. Na sequência, conseguiu derrubar o brasileiro e ficar por cima. Palelei desferiu golpes até o fim do período.

Com um início fulminante no segundo round, Pezão amassou o oponente. Conectou golpes duros, Palelei sentiu e não conseguiu se defender mais. O árbitro encerrou o combate aos 41s. O brasileiro não sabia o que era um trinfo desde a vitória histórica contra Alistair Overeem, em fevereiro de 2013.

"Quero agradecer a todos os presentes pela força que me deram, foi maravilhoso. Eu tive duas péssimas atuações aqui no Brasil e eles merecem essa vitória, povo batalhador, guerreiro. Agora, o mundo que me aguarde porque eu estou voltando com tudo", afirmou Antônio Silva, o Pezão: "No vestiário, há 10 minutos atrás, eu estava revendo a minha luta com o Overeem e vi que fiz igual ao que eu fiz hoje. Quando vi que ele estava cansando, fiz exatamente igual e funcionou como eu esperava".

Pezão conseguiu vitória incrívelInovafoto

Peso-pesado: Stefan Struve x Rodrigo Minotauro

Eram Davi e Golias. O gigante Struve, com 2,11m, não facilitaria as coisas para Rodrigo Minotauro. A solução para o brasileiro foi usar o contragolpe e clinchar o adversário, buscando a queda. A tática se mostrou eficaz no primeiro round e os dois ficaram a maior parte do tempo grudados na grade. Vez por outra, Minotauro conseguia encaixar um direto potente. Mas Struve era perigoso nos chutes altos.

Minotauro manteve a tática no segundo assalto, mas o cansaço já era evidente. Uma boa queda no início aplicada por Minotauro deu certa vantagem ao brasileiro. Mas o holandês era duro. O clima era de tensão na arena. Ninguém piscava. Com boa sequência de golpes, Struve equilibrou o duelo no fim.

O público entendeu que precisava ser o combustível que faltava para o ídolo. Com gritos de 'O campeão voltou", a torcida empurrou Minotauro. Guerreiro, ele sustentou até o fim. Suportou pancadas muito fortes e não caiu uma única vez, mas só isso não foi suficiente. Resultado: vitória de Struve por decisão unânime (triplo 30 a 27). Arrasado fisicamente, Minotauro deixou o octógono aplaudido de pé. Parece o fim de uma era. O adeus de um ídolo.

"Eu sei que vocês queriam que seu herói vencesse. Mas eu não poderia deixar que isso acontecesse. Eu respeito ele tanto quanto vocês e foi uma experiência incrível", disse Stefan Struve, completando: "Ele é um cara que não é normal. Eu acertei várias vezes, sacudi ele, mas não caiu. Três horas antes da luta, eu vomitei, passei mal, mas não podia perder a oportunidade de enfrentar essa lenda e ter essa luta fantástica".

Minotauro foi derrotado por pontosReuters

Final do TUF Brasil 4 peso-galo: Dileno Lopes x Reginaldo Vieira

Os finalistas do TUF entraram a mil por hora. Começaram com uma trocação eletrizante, até que Reginaldo Vieira encaixou uma guilhotina e apertou o pescoço de Dileno. Ele, porém, conseguiu se desvencilhar da pegada e voltou em pé. Na sequência, foi a vez de Dileno arrochar uma guilhotina, também bem defendida por Vieira. O round chegou ao fim com nova troca de golpes de tirar o fôlego.

Mais cansados, os lutadores foram se poupando ao longo do segundo round. Dileno conectava bons chutes e golpes na linha de cintura. Reginaldo se movimentava bastante e buscava golpes de encontro. Quando Dileno conseguiu cair por cima, o árbitro interrompeu e mandou voltar de pé devido a pouca efetividade nos golpes. Reginaldo se mostrava mais inteiro.

No terceiro round, Vieira tomou a iniciativa da luta, conseguiu a queda e caiu por cima. Mas Dileno deu o troco, subiu e encaixou a guilhotina. Ali, eles permaneceram por quase um minuto. Resistente, Reginaldo saiu do estrangulamento, conseguiu o ground and pound e martelou até o fim do round. uma batalha digna de decisão do TUF. Resultado: Reginaldo Vieira é o campeão peso-galo da quarta edição do TUF, por decisão unânime (30-27, 29-28 e 30-27).

"Foi uma experiência forte, só eu sei o que passei lá. A dor da decepção foi grande para mim e para a minha família. Estou aqui de volta, podendo mostrar que quem acredita e trabalha consegue chegar a algum lugar. Hoje posso mostrar isso", afirmou Reginaldo.

Reginaldo Vieira e Dileno Lopes deixaram luta abraçadosInovafoto

Final do TUF Brasil 4 peso-leve: Fernando Açougueiro x Glaico França

O que sobrou na luta anterior, faltou nesta: emoção. O medo de se arriscar tirou os dois lutadores do combate. Açougueiro abusou nas tentativas de quedas, a maioria sem sucesso, e Glaico dominou, invertendo e segurando. Os dois permaneceram amarrados por boa parte dos dois primeiros rounds e chegaram a ser vaiados pela falta de combatividade.

Eles ficaram trocando clinchs, mas o mais contundente e efetivo foi Glaico. O Açougueiro dominou, mas não conseguiu fazer estrago. O terceiro round não foi diferente. A torcida estava mais interessada em gritar 'Mengo, Mengo' do que apoiar os lutadores. No melhor momento, Glaico levou a luta para o solo, encaixou um mata-leão aos 4min46 do R3 e se sagrou campeão do TUF Brasil 4.

Após a vitória, Glaico fez gesto, provocando José Aldo (que estava no córner do Açougueiro) e afirmou: "É um prazer, eu amo isso. Fazer parte do UFC é uma honra, cheio de grandes estrelas, uma satisfação enorme. Não sei nem o que dizer, estou muito feliz. Obrigado a minha família, meus amigos e todos que torcem por mim".

Glaico Franca derrotou FernandoInovafoto

Peso-meio-pesado: Mauricio Shogun x Rogério Minotouro

Quando duas lendas do esporte pisam no mesmo octógono tudo pode acontecer. Mais jovem, Shogun tomou a iniciativa do combate, controlou o centro do cage e usava os chutes baixos para minar Rogério. Ao adversário cabia se movimentar, em busca de espaço e contragolpear. O Nogueira se esquivava bem dos socos de Shogun, mas não escapava dos chutes na coxa. Perto do fim do round, os dois protagonizaram uma trocação insana, com Shogun levando a pior e cambaleando duas vezes. Só não caiu porque a grade ajudou.

Na volta pro segundo round, Shogun encurtou e levou pro chão. Tática conversada no intervalo. Por baixo, Rogério tentava raspar e segurava o adversário, que, vez por outra, desferia algum soco. Quando a luta voltou em pé, Shogun parecia mais inteiro. Continuava desferindo seus chutes, agora mais pra linha da cintura. Minotouro era mais coração e menos técnica.

Rogério voltou melhor no início do R3 e conectou dois bons cruzados, em cheio. Shogun sentiu a mão pesada e tentou o double leg, mas sem sucesso. Shogun combinava bem jab, direto e chute baixo. Minotouro procurava brechas no jogo do oponente. Até que ela apareceu. Shogun tentou novo double leg, deixou o pescoço à mostra e levou uma guilhotina. Ele suou um bocado, mas conseguiu sair no último momento do terceiro round. Vitória de Shogun por decisão unânime (triplo 29 a 28) e muitas vaias dos fãs. Todos queriam triunfo de Minotouro na revanche histórica do Pride, dez anos depois.

"Eu senti o golpe, fiquei muito groge, mas deu para me recuperar. Eu sabia que seria uma luta dura", analisou Maurício Shogun.

Pezão conseguiu vitória incrívelInovafoto

Peso-galo: Ronda Rousey x Bethe Correia

A música escolhido por Bethe Correia dizia muito sobre o futuro do combate contra Ronda Rousey. 'Beijinho no Ombro', de Valesca Popozuda levantou a galera, mas o recalque não passou longe. Ronda foi aplaudida de pé quando pisou no octógono. Parecia brasileira. Com cara de mau, iniciou o combate em cima, tentou duas quedas e encurralou Bethe como um animal indefeso. Ronda combinou jab, direto, cruzado e direto, que levou a brasileira ao chão, já apagada, aos 34s. Americana mantém o título e é saudada pela torcida, com gritos de 'Ronda, Ronda'

Ronda Ronsey passou fácil por Bethe CorreiaInovafoto

"Ela não aguentou as minhas mãos. Eu queria que ela viesse no clinch, mas acabou acontecendo isso e ela nunca mais vai poder falar das minhas mãos", afirmou a campeã: "Espero que depois dessa luta ninguém mais fale sobre família. Que esta tenha sido a última vez".

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