Moody's prevê mais calote e menos rentabilidade na Caixa

Em relatório divulgado na sexta-feira a emissores, investidores e analistas, agência diz que aumento dos juros para algumas linhas de crédito imobiliário ajudam a reduzir os custos mas qualidade deve piorar mesmo assim

Por O Dia

São Paulo - A elevação das taxas de juros em algumas linhas dos empréstimos imobiliários da Caixa vai ajudar a instituição a compensar as margens mais baixas que a instituição ganha em sua carteira de empréstimos subsidiados. Mas os riscos de deterioração da qualidade de ativos continuam elevados, especialmente tendo em conta as perspectivas econômicas precárias do Brasil. A opinião é da Moody’ s Investors Services, em relatório para investidores, analistas e emissores de títulos divulgado na sexta-feira, ao qual Brasil Econômico teve acesso.

“Desde 2011, as margens líquidas de juros da Caixa tem sido cada vez menores”, diz Ceres Lisboa, que assina o relatório. Embora a Caixa apresente taxas de inadimplência historicamente baixas e abaixo das do mercado, elas estão em ascensão nos últimos anos. “As métricas de qualidade de ativos da Caixa deterioram em 2014 devido a uma combinação de menor crescimento dos empréstimos em comparação com os anos anteriores, alta da inadimplência em novas linhas de negócios mais arriscados e aumento do risco de concentração entre os mutuários de baixa renda”, diz o relatório.

Procurada, a Caixa não retornou o pedido de entrevista. Desde a semana passada, a instituição está cobrando em média 0,9 ponto percentual a mais em diversas linhas, com exceção das que utilizam recursos do FGTS e do programa Minha Casa Minha Vida. O aumento exato vai depender de vários fatores, incluindo se o mutuário é um funcionário da Caixa, se recebe salário pelo banco, se é um funcionário público e qual o valor da propriedade financiada.

A Moody’s reconhece que a alta das taxas de empréstimos aumentará as receitas com juros, ajudando a compensar o aumento dos custos de captação do banco. O aumento tem sido impulsionado pela alta da taxa de juro de referência do Banco Central (Selic) e pelo aumento do uso de fontes alternativas de financiamento pela Caixa, para lastrear a expansão das operações de crédito.

Desde 2008, a Caixa tem crescido sua carteira de crédito em cerca de 40% ao ano, como parte das políticas anticíclicas do governo brasileiro. A carteira de empréstimos imobiliários da Caixa tem crescido a taxas semelhantes e o banco continua a manter a sua posição como líder no mercado imobiliário do Brasil, com 67% de participação de mercado em setembro de 2014, apesar do crescimento do setor privado no segmento.

Para financiar o seu crescimento rápido, a instituição começou a buscar alternativas para ajudar a reduzir o fosso crescente entre empréstimos e depósitos de poupança, que vem crescendo em ritmo menor. Entre as alternativas usadas, estão Letras Financeiras (LF), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), e do Agronegócio (LCA) e bônus internacionais. Embora essas fontes de financiamento representem ainda apenas 6,4% do funding total da Caixa a partir de setembro de 2014, seu crescimento tem sido diretamente relacionado com o ritmo de crescimento em empréstimo da Caixa, e tem levado ao aumento dos custos de financiamento. O aumento recente das taxas dos empréstimos vai ajudar a combater isso.

“A Caixa elevou suas metas de captação para fazer frente ao aumento das contratações de operações de crédito e ano a ano a captação de recursos vem apresentando recordes. O volume captado, sem considerar repasses, saltou de R$ 23 bilhões no acumulado nos nove primeiros meses de 2010 para R$ 64,1 bilhões no mesmo período de 2014”, diz o relatório dos resultados do terceiro trimestre do banco federal. Foram captados R$ 20,8 bilhões em LCI, R$ 11,8 bilhões em Certificados de Depósito Bancário e R$ 9,6 bilhões em LF.

Mas é preciso acompanhar a tendência da demanda por crédito imobiliário em 2015, e nos anos seguintes. O quanto a Caixa será capaz de compensar o seu aumento do custo de fundos e margens menores em outras operações na sua carteira de crédito dependerá em grande medida da desempenho da economia brasileira e do ambiente operacional.

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