Bolsa estreia nova clearing de derivativos

Somente nesta primeira fase serão liberados R$ 20 bilhões em garantias. Segundo Ancord, os clientes poderão usar o dinheiro que ficava esterilizado para negociar

Por O Dia

A nova clearing integrada (câmara de compensação) da BM&FBovespa pode aumentar o volume negociado nos mercados. Somente com a primeira fase, inaugurada ontem — para compensação de contratos de derivativos de bolsa e de balcão — a Bolsa prevê liberar R$ 20 bilhões em garantias depositadas pelos clientes.

“É um ganho para as corretoras e para a Bolsa. Acreditamos que com a nova clearing os clientes poderão usar o dinheiro que ficava esterilizado como garantia para negociar. Para os que utilizam cartas de fiança, o custo total final das operações na BM&FBovespa também irá cair, e sobra dinheiro. A redução do custo total das operações pode aumentar o volume de operações em Bolsa”, afirma o presidente da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord), Carlos Souza Barros.

De acordo com a Bolsa, a clearing trará mais robustez e competitividade aos mercados financeiro e de capitais do Brasil, representando um marco em sua evolução e história. “Às vezes, o mercado passa vários anos sem mudanças. Neste caso, vamos avançar vários anos em um único dia”, afirma o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto. “A clearing única representa uma revolução de modernidade, segurança e eficiência nos serviços de contraparte central e de gerenciamento de riscos. A exemplo do Sistema de Pagamento Brasileiro (SPB), o mercado agora vai se dividir em antes e depois da nova clearing”, ressalta Edemir.

Após esta primeira fase, serão integradas as clearings de ações e renda fixa privada, câmbio pronto e títulos públicos federais. Edemir espera que o desenvolvimento completo da nova clearing, com vistas a customizá-la para receber as ações, ficará pronta até o final do ano. Todo o projeto está previsto para ser concluído em meados de 2015. Edemir disse ainda que, à medida que vai acontecendo a migração das próximas câmaras, a Bolsa vai liberando mais garantias. “Na segunda fase, ações, vai haver mais liberação. Mas ainda não dá para saber o valor”, explica.

“Após a conclusão da migração, a Bolsa terá unificadoos processos de registro, controle de posições, liquidação e administração de risco das operações realizadas nos diversos segmentos do mercado, com geração de importantes benefícios para todos os participantes”, disse a BM&FBovespa em comunicado à imprensa.

Sobre o primeiro dia de funcionamento da clearing, Barros disse que superou as expectativas, tendo em vista o tamanho do processo. “Estão todos, corretoras e Bolsa de prontidão. Nossa avaliação é que está correndo tudo bem”, afirma.

Entre as corretoras consultadas pela reportagem, apenas uma relatou um “pequeno problema”. De acordo com um dos profissionais do BackOffice, que preferiu não se identificar, a única divergência foi referente ao arquivo de conciliação para o abatimento das operações no final do dia. Segundo esse profissional, o Sistema Integrado de Administração de Corretoras (Sinacor) não estava conseguindo pegar o arquivo na Bolsa. “É um pequeno problema, nossa área de TI já está em contato com a Bolsa e tudo deve se resolver”, diz.

No final do dia, a assessoria da Bolsa informou que o início das atividades da nova clearing foi muito bem sucedido. “Depois de 11 ciclos de produção paralela realizados desde o ano passado e um intenso final de semana de testes finais junto ao mercado, a migração do mercado de derivativos para nova clearing foi concluída com êxito”, afirma a Bolsa, ressaltando “o trabalho em parceria com o mercado, que percebeu, desde o início do projeto, todos os benefícios de longo prazo que a clearing trará aos mercados financeiro e de capitais”.

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