Saiba os cuidados diários necessários para soltar a voz com segurança

Cigarro é a maior causa de problemas vocais. Em caso de rouquidão por duas semanas, médico deve ser procurado

Por O Dia

Rio - Pastilha importada, água especial, própolis, mel, nebulizador e aquecimentos vocais. Os cuidados da atriz Stella Miranda, em cartaz com a peça ‘Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos’, são alguns dos modos de se prevenir de problemas ligados à voz, que ameaçam tanto profissionais da oratória quanto cidadãos comuns. De uma simples rouquidão ao câncer de laringe, o cigarro aparece sempre como o principal vilão.

Stella observa uma mudança na preocupação geral com a voz. Quando fazia parte da dupla Xicotinho e Salto Alto, no começo dos anos 1990, ela não ligava tanto para eventuais problemas. “Acho que hoje é mais baseado em questões técnicas”, comenta, sobre o fato de existirem mais médicos especializados do que antigamente.

A atriz Stella Miranda cultiva árdua rotina de precauções. Antes de se apresentar%2C faz aquecimento por 45 minutos e usa uma pastilha importadaDivulgação

A atriz cultiva uma árdua rotina de precauções. Antes de entrar em cena, são 45 minutos de aquecimento vocal. Contudo, a maior companheira de Stella nessa empreitada é uma pastilha. Importada da Alemanha, a vocalzone abre os canais da laringe e é considerada, por ela, um “remédio mágico”. Tamanho esmero com o instrumento de trabalho tem uma explicação simples: “Os atletas têm o corpo. Nós, a voz.”

De seis em seis meses, o professor de canto Jailton Pereira de Almeida, 52 anos, precisa ir ao médico para conferir se está tudo bem com a voz. Há alguns anos, intrigado com a tosse incessante, ele foi a um otorrinolaringologista. Fez uma endoscopia e descobriu um princípio de câncer na laringe. Após retirar a ameaça, passou a ficar mais atento a questões como o posicionamento da voz, a temperatura da água e o controle de gritos, por exemplo. “Acabo ajudando os alunos, dando dicas. Se eles seguem, não sei. Pelo menos eu tento”, brinca.

Especialistas apontam que quem corre o maior risco de ter lesões são mesmo os “profissionais da voz”: cantores, professores, advogados, repórteres, etc. Entretanto, existem outros tipos de lesões, as congênitas, que se dão a partir de alguma má formação, logo no nascimento. Nesses casos, o tratamento deve ser feito com um fonoaudiólogo, que vai tentar tirar a aspereza e melhorar a qualidade da voz.

A fonoaudióloga Cristiane Magacho explica que existem mitos e verdades quando o assunto é o carinho com a fala. Gargarejo com água morna e sal, assim como o uso de sprays, são medidas controversas. Ela esclarece que ambos ajudam a anestesiar a garganta e aliviar dores, mas não dizem muita coisa quando a questão é a fala em si. Aos profissionais da voz, Cristiane recomenda praticar aquecimentos vocais, evitar roupas apertadas – que sufoquem o pescoço e o diafragma, por exemplo —, se hidratar de modo indireto (água) e direto (nebulização) e, principalmente, não fumar cigarro.

Médico responsável pelo Setor de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), Pedro Ricardo Milet explica que o cigarro é a maior causa de problemas vocais nas pessoas comuns, aquelas que não trabalham diretamente com a voz. Nas cordas e na laringe, a substância provoca uma série de alterações — reversíveis ou irreversíveis. Quando a rouquidão permanecer por mais de duas semanas, explica Milet, deve-se procurar um médico para checar se há uma lesão estrutural.

Método de restauração é testado

O médico Pedro Ricardo Milet testa um método restaurativo de trabalho para ajudar pacientes com câncer de laringe. Ao ter o órgão retirado por causa da doença, a pessoa perde a capacidade de produzir fala pela boca. No hospital, os médicos utilizam próteses, cedidas por uma empresa, e criam uma passagem de ar para a boca. É um objeto de cerca de um centímetro de comprimento, que deixa o fluxo de ar passar em uma só direção.

O paciente vai, a partir de então, ao fonoaudiólogo, com quem aprende a falar novamente. O simples movimento de fala, que sem a prótese não resultaria em voz, é o suficiente para abrir a válvula e fazer o ar passar para a faringe, onde as vibrações se transformam em voz.

Segundo Milet, o procedimento é inovador porque permite suavizar a voz artificial, de modo que ela fique mais parecida com a fala natural. 

Reportagem do estagiário Caio Sartori

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