Fusão cria gigante do gás

Acordo entre Cemig e GasNatural prevê união de distribuidoras de gás canalizado e inicia consolidação do setor

Por O Dia

Com o acordo para unificar suas atividades de distribuição de gás natural, a espanhola GasNatural Fenosa e a estatal mineira Cemig dão o pontapé inicial em um novo movimento de consolidação do setor no país. Anunciado ontem, o acordo prevê a criação de uma holding, batizada de Gas Natural do Brasil, que vai controlar empresas de distribuição no Rio, em Minas Gerais e em São Paulo. Para especialistas, a união das companhias cria um player com musculatura suficiente para disputar a liderança do mercado com a Cosan, controladora da Comgás, maior distribuidora do país e com apetite para adquirir novas participações.

“Imagina-se que a Petrobras, em algum momento, vai começar a se desfazer de suas participações em distribuição. E esses dois players devem ser os grandes atores deste novo movimento de consolidação”, analisa Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). O acordo entre Gas Natural e Cemig põe, sob o mesmo chapéu, as distribuidoras CEG e CEG Rio, Gas Natural SPS e Gasmig — cujas carteiras, somadas, ultrapassam 1 milhão de clientes e 10 milhões de metros cúbicos por mês.

As empresas não informaram os detalhes do acordo, mas fato relevante divulgado pela Gas Natural adianta que a espanhola será majoritária na nova holding. A Cemig, por sua vez, ganha acesso aos mercados do Rio e da área Sul de São Paulo, hoje concedidos à Gas Natural. “As duas companhias desenvolverão nos próximos meses os esforços necessários para constituir uma holding de distribuição de gás no Brasil e realizar possíveis novos investimentos. A holding terá um acordo de acionistas e participação majoritária da GasNatural Fenosa”, limitou-se a dizer a empresa espanhola.

Com o acordo, a Cemig consegue finalmente expandir suas atividades para fora de Minas Gerais — estado onde o gás natural ainda é pouco utilizado — após a fracassada tentativa de comprar uma fatia na GasBrasiliano, que atende a região Oeste de São Paulo. A interconexão das redes de Rio e Minas garante ainda maior poder de barganha nas negociações pela compra do combustível, inclusive de produtores privados que começam a extrair gás na costa brasileira. Além disso, diz um analista, podem partir para a importação de gás natural liquefeito (GNL) a preços melhores do que os praticados pela Petrobras.

A operação é encarada como o início de uma segunda etapa de consolidação do segmento. Na virada do século, a Petrobras comprou participação na grande maioria das distribuidoras estaduais de gás canalizado, com o objetivo de fomentar o mercado consumidor. Hoje, a estatal está focada no desenvolvimento das reservas do pré-sal e estuda se desfazer de suas operações na distribuição. A Cosan já declarou publicamente que tem interesse em adquirir ativos no segmento. Agora, comentam especialistas, enfrentará a concorrência da Gás Natural do Brasil. “A nova empresa terá musculatura, tanto no que diz respeito a dinheiro, quanto no que diz respeito a expertise”, comenta Pires.

Procuradas, as companhias não quiseram comentar o assunto, mantendo apenas as versões apresentadas em comunicados ao mercado. Segundo uma fonte, a Cemig negocia a compra da fatia de 40% que a Petrobras tem na Gasmig para viabilizar a operação. A distribuidora mineira tem um arrojado plano de investimentos, incluindo um projeto de R$ 2 bilhões para a construção de um gasoduto ligando a região metropolitana de Belo Horizonte à nova unidade de fertilizantes da Petrobras localizada em Uberaba, no Triângulo Mineiro.

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