'Não tenho a expectativa de a tarifa de ônibus cair', diz Rafael Picciani

Secretário municipal de Transportes defende o acréscimo para acelerar colocação de ar-condicionado nos coletivos da cidade

Por O Dia

Rio - Após o reajuste de 11,7% nas passagens de ônibus do município, o secretário municipal de Transportes defende o acréscimo para acelerar a colocação de ar-condicionado nos coletivos da cidade. Em entrevista, antes do protesto contra o aumento de sexta-feira, Rafael Picciani disse acreditar que a população do Rio prefere pagar R$ 0,04 a mais para ter os veículos refrigerados. Ele lembra que está sendo realizada uma auditoria externa nas contas dos consórcios operadores que vai concluir, até o fim do ano, se há algum desequilíbrio nas tarifas, para mais ou para menos. Entretanto, ele avalia que, se houvesse “desequilíbrio pró-empresas”, não haveria tantas companhias falindo.

O DIA: A racionalização das linhas de ônibus desagradou muitos passageiros. Faltou ouvir a população?

RAFAEL PICCIANI: A gente fez um amplo estudo, através de uma consultoria privada, antes da racionalização. É a consultoria com a maior capacidade de extrair dados da população.

O MP pediu a interrupção do plano e a desoneração dos passageiros, que, segundo o órgão, teriam de gastar mais. Quais foram os ganhos da racionalização até agora?

Eu queria contestar esses prejuízos, porque o Ministério Público não teve êxito nessa ação. Grande parte de quem utiliza as linhas já observa que os intervalos estão mais curtos, que a regularidade é maior e que as vias ganharam uma fluidez muito melhor.

Por que a prefeitura acrescentou R$ 0,039 na tarifa para compra de ônibus com ar, se as empresas deixaram de adquirir 680 dos 2.233 veículos exigidos em 2015?

Ano passado incluímos R$ 0,058 para compra do ar-condicionado. A meta era checar a 50% das viagens com ar em 2015. Eu credito como positiva essa decisão, porque nós saímos de 36% para 57% das viagens com ar-condicionado. Alcançamos a meta para 2015, apesar da não entrega do número de ônibus com ar que tínhamos determinado. Com isso, havia uma nova decisão este ano. Mantém-se isso para além da fórmula paramétrica (de reajuste das tarifas) ou já estamos satisfeitos? Este ano, por exemplo, há 702 ou 703 ônibus com vida útil vencendo que vão ser trocados sem o cidadão pagar mais por isso, já incluído na tarifa contratual. Mas nós queremos chegar a 70% das viagens neste ano e, só com esses 700 ônibus, não é possível. Então descontamos R$ 0,015 referentes aos ônibus que deixaram de comprar ano passado.

Mas R$ 0,04 continuam embutidos na tarifa...

Sim, para aquisição desses novos ônibus para este ano. O que não for entregue à população vai ser abatido da tarifa no outro ano. Acho que dificilmente a população deixaria de concordar em pagar R$0,04 para alcançar 70% de viagens com ar.

A população foi ouvida para isso?

Eu acho que a população manifestou isso ao cobrar que a frota tivesse ar-condicionado.

Secretário Municipal de Transportes%2C Rafael PiccianiAlexandre Brum / Agência O Dia

Por que a prefeitura esticou para 2017 o prazo para as empresas terem 100% dos ônibus com ar?

Basicamente em função da não conclusão do BRT Transbrasil em 2016. Eu não posso obrigar as empresas a comprar ônibus com ar este ano sabendo que, em 2017, terão de substituir por um articulado para o BRT.

No reajuste feito em 2015, foi estabelecida a meta de contratação de uma auditoria externa para prestar assessoria na revisão do preço da passagem. Como está esse trâmite hoje?

A gente já fez parte desse trabalho no ano passado com a Price, que é a consultoria que presta o serviço, mas a falta dos balanços auditados pela Ernst Young (que faz auditoria no sistema, contratada após as manifestações de 2013) ainda nos impede de fazer afirmações sobre se o sistema de fato está em equilíbrio ou em desequilíbrio. Se está em desequilíbrio, é para mais ou para menos? Muita gente me pergunta: a revisão vai diminuir a tarifa? Eu digo que não tenho essa expectativa. Eu conto com que a revisão impeça que a gente tenha um salto muito alto no aumento, mas eu não sou capaz de te afirmar que o sistema esteja em desequilíbrio pró-empresas não, tanto que algumas empresas estão falindo. Se houvesse esse desequilíbrio tão grande a favor das empresas, não sei se elas estariam em uma situação difícil, como demonstram estar.

Qual o prazo para conclusão da auditoria dos consultores da Ernst?

Era 2015. A Ernst agora pediu para entregar ao longo de 2016. A gente está trabalhando junto com o Tribunal de Contas, mas auditoria tem uma complexidade que exige tempo.

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