Milton Cunha: Espelho, espelho meu...

O espetáculo democrático da grande procissão negra que o desfile é foi recuperado com força total

Por O Dia

Rio - Gente, quem é que convenceu a torcida do futebol peruano de que eles são uns brancos belíssimos? Dotados de um look viking, louros, altos e de olhos azuis (ou seja, nenhum deles), se acham no direito de sacanear o negro jogador gaúcho Tinga, fazendo o grunhido do macaco cada vez que o craque chega na bola. O mais estranho é que eles foram vitimas da Europa aristocrática, alguns supostamente arianos, que séculos atrás os menosprezaram pelo mesmo motivo que agora eles recorrem: as diferenças físicas para estabelecer quem é melhor ou pior, quem manda e quem obedece. Como pode os que foram injustiçados historicamente cometer o mesmo erro em gerações seguintes? Os pais e os avós não estariam contando (nem o espelho) que os traços físicos dos peruanos também já foram associados a animais nada lisonjeiros, por estúpidos preconceituosos que acham que biótipo define inteligência e caráter?

Quando os discriminados estão discriminando, algum descompasso aconteceu, certamente a falta de acesso à informação, à cultura, ao bom senso. Nós, terceiro-mundistas, temos que ter muita parcimônia, porque, na hora do “pega para capar”, nós seremos, todos, os primeiros a dançar, juntinho com africanos e aborígenes papuas, parecidérrimos com o povo inca, do Peru.

Isto posto, passemos aos flashes da Sapucaí: os ensaios técnicos estão organizadíssimos e maravilhosos, parabéns à Liesa e à Riotur. O espetáculo democrático da grande procissão negra que o desfile é foi recuperado com força total. E parece que os velhos tempos voltaram também na questão de que portelense só pode desfilar na Portela, e a-ca-bou. Foi-se o tempo de poder dar pinta varias vezes na Sapucaí, pois a grande fofoca sapucaiana é a suspensão do direito de desfilar na Portela da grande primeira-passista Nilce Fran, porque ela passou serelepe no ensaio técnico da Mangueira. Ela diz que não foi avisada de que teria que escolher, e a Azul e Branca de Madureira diz que não precisa mandar escolher, porque o pavilhão sempre terá que ser respeitado.

Novos tempos, pois tem musa que desfila nas 12 especiais e 17 do grupo de ouro. E se sobrar tempo corre para a Intendente e agita nos grupos B, C, D e E! Assisti passado à Nilce Fran ver sua escola de coração desfilar no ensaio, encostada na grade, cumprimentada por muitos portelenses que não estavam entendendo nada, pois Nilce reinava na quadra absoluta com seu projeto Pé no Futuro (embaixo do viaduto Negrão de Lima, ela tem um bloco gay hilário chamado As Coquetes). Gente, de novo, se esta moda pega, vai ser uma revolução.

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