Waldir Pedro: Nota de desagravo

Fez bem a presidenta Dilma em lançar nota de desagravo a respeito da morte do brasileiro na Indonésia

Por O Dia

Rio - Quem consegue explicar o comportamento humano que atire a primeira pedra.Num final de semana, observei na praia helicópteros salvando banhistas que insistiam em burlar os avisos de segurança. Se a pessoa sabe que o mar está perigoso e pode morrer, por que se atreve a enfrentá-lo? Já assumiram o risco, deveriam morrer sem receber socorro.

Esse foi o raciocínio de inúmeras pessoas no caso que envolveu um brasileiro condenado à pena de morte na Indonésia. Sabia que era a lei local e assumiu o risco... Agora que arque com as consequências.
Quem pode julgar um ato de transgressão ou um erro? Quem está imune a não cometer delitos, grandes ou pequenos? Alguns países apedrejam até a morte a mulher adúltera, valeria então o mesmo argumento que elas sabiam que era a lei local e assumiram o risco... merecem a punição. Outros países executam homossexuais. Se sabiam que era proibido, por não reprimiram sua sexualidade? Parece mais fácil julgar o ato do que as reações que provocam.

Questionaram a liberdade de expressão do ‘Charlie Hebdo’. Chegou-se a dizer que eles provocaram e por isso a reação foi legítima. Ora, liberdade de expressão não tem limites, do contrário não seria liberdade de expressão.

Infeliz a fala do Papa Francisco, que defende a liberdade de expressão e na sequência diz que não dá direito ao insulto, pois isso provoca uma reação. Chegou a dizer que socaria alguém que falasse mal de sua mãe. Como pode ser entendido esse soco? Mulheres já foram mortas sob alegação de “legítima defesa da honra”. Outras foram estupradas, e o argumento é que estavam com roupas indecentes, pediram para ser violentadas. Gays foram baleados, pois provocaram ao se beijar.

Fez bem a presidenta Dilma em lançar nota de desagravo a respeito da morte do brasileiro na Indonésia. Bom seria uma nota de desagravo a todos os governos que desrespeitam os direitos humanos, a todos os países que resolvem seus problemas com pena de morte e a todos os grupos que agem de forma radical e extremista contra a dignidade humana. Isso tornaria o Brasil um defensor dos direitos fundamentais da humanidade.

Waldir Pedro é professor de Filosofia

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