Fernando Bezerra e Luiz Pinguelli Rosa: Os desafios do setor elétrico brasileiro

É recomendável que o modelo de financiamento e a gestão do setor sejam analisados sob visão mais abrangente

Por O Dia

Rio - O setor elétrico brasileiro sempre foi um desafio para os governantes. É fato que a energia elétrica é insumo fundamental para o desenvolvimento econômico e social de toda nação. Daí as políticas e diretrizes voltadas ao atendimento da demanda serem extremamente relevantes tanto para as residências quanto para o comércio e a indústria.

Por esse motivo, os parâmetros de avaliação do atendimento não devem limitar-se apenas à continuidade do serviço como também à qualidade, confiabilidade, disponibilidade, quantidade e custo da utilização. Com relação à qualidade, o Brasil tem atendido razoavelmente aos padrões internacionais. Em relação aos demais parâmetros, é preciso aperfeiçoar, uma vez que crises energéticas, de menor ou maior amplitude, têm se repetido nos últimos anos e à medida que o sistema cresce.

Apesar de o Brasil ser destaque mundial no que se refere à diversidade de fontes primárias e quantidade disponível de energia renovável, observa-se que a gestão governamental não tem atendido às necessidades do país. Em 2001 os efeitos adversos do regime hidrológico não foram mitigados e o Brasil foi obrigado a racionar energia; decorridos 14 anos, a situação ainda não foi bem resolvida.

A raiz do problema está na insuficiência da geração hidrelétrica, dominante no país. A questão é, também, que nossas termelétricas são, em maioria, de baixa eficiência, algumas usando carvão mineral, óleo combustível e até diesel, além de gás natural, que é o mais adequado. Por isso, o custo do combustível onera pesadamente a tarifa paga pelo consumidor.

Ponto positivo é a crescente entrada das “energias limpas”, especialmente a eólica, cujo custo baixou nos últimos anos. Já houve também leilão para a geração de energia solar.

É, portanto, recomendável que o modelo de financiamento e a gestão do setor sejam analisados sob visão mais abrangente. A expansão está diretamente relacionada a políticas públicas eficientes e transparentes.

Só assim será possível evitar que o consumidor não seja novamente submetido a racionamentos, ‘combustíveis’ para a restrição do consumo, o aumento dos custos, a perda de competividade e o desemprego.

Fernando Bezerra é senador pelo PSB-PE
Luiz Pinguelli Rosa é secr. exec. do Fórum Bras. de Mudanças Climáticas

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