Teleférico no Morro da Providência opera em marcha lenta

Testes e treinamento atrasam uso pleno, justifica concessionária responsável

Por O Dia

Rio - A dona de casa Mônica Barbosa, de 34 anos, gasta quase meia hora caminhando com o pequeno Saulo, 4, para subir o Morro da Providência, na Região Portuária, onde moram. No dia 2 de julho, a prefeitura inaugurou o teleférico que liga a Central do Brasil à Gamboa e à Praça Américo Brum, na parte alta da comunidade. No entanto, ao contrário do prometido, o serviço até hoje não começou a operar integralmente. Se estivesse funcionando, mãe e filho levariam apenas três minutos para percorrer o mesmo trajeto.

No mês passado, a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Porto (Cdurp), responsável pelo teleférico, informou que o transporte estaria funcionando em horário pleno até o início deste mês: de 6h às 21h, nos dias úteis; das 7h às 19h, aos sábados; e das 9h às 18h, nos domingos e feriados. Porém, o serviço só tem operado de 9h às 11h e de 14h às 16h, de segunda a sexta; e de 9h ao meio-dia, aos sábados e domingos.

A estação da Gamboa%2C fechada%2C na sexta-feira%2C à tarde%3A moradores do Morro da Providência pedem a normalização dos horários do teleféricoPaulo Araújo / Agência O Dia

Os moradores reclamam que os pequenos intervalos de tempo em que o teleférico fica aberto não atendem à maioria da população, que desce de manhã cedo para trabalhar e estudar e retorna no fim do dia. “Quem não tem condições de pagar toda vez uma van para subir e descer, tem que ir a pé mesmo. Quando eu levo meu filho para a escola, o teleférico ainda está funcionando, mas na volta, não”, conta Mônica.

A passagem da van custa R$ 2,50 na subida e R$ 1,00 na descida. Já o teleférico, que tem capacidade para transportar até mil passageiros por hora, é gratuito. “As pessoas poderiam economizar para comprar comida e outras coisas para suas casas se o teleférico estivesse funcionando”, afirma a química Maria da Graça Rosa, de 64 anos, que não consegue mais subir o morro a pé. Procurada pelo DIA, a Cdurp não deu qualquer previsão de quando vai iniciar a operação do teleférico em horário integral.

Moradores são recrutados, e comércio já se beneficia

A Cdurp informou que o atraso para cumprir o cronograma de operação plena do Teleférico do Morro da Providência está ocorrendo porque o serviço continua em “estado de comissionamento”, ou seja, em fase de testes e treinamento de pessoal. “Ainda é preciso fazer alguns ajustes para ampliar o horário de funcionamento”, informou a companhia.

Mônica Barbosa com o filho Saulo%3A meia hora para subir o morroPaulo Araújo / Agência O Dia

O presidente do Conselho Fiscal da associação de moradores, Paulo Lins de Andrade, 53 anos, confirmou que cerca de 40 a 50 moradores, indicados pela associação, foram recrutados e estão sendo treinados para trabalhar no sistema.

Prestes a completar três meses em funcionamento parcial, o teleférico já arrastava um histórico de atrasos antes mesmo de ser inaugurado. O sistema demorou 13 meses para ser aberto ao público, desde a conclusão das obras, que ficaram prontas em maio de 2013, até a prefeitura estabelecer parceria com o Consórcio Porto Novo, que vai administrar o transporte até 2026. A implantação do teleférico custou R$ 75 milhões.

Os comerciantes locais têm esperança de que, além de levar comodidade para moradores, a normalização do serviço vai impulsionar o turismo e a economia na comunidade, que tem uma população estimada de seis mil moradores.

“A prefeitura gastou um dinheiro enorme para até hoje não ter iniciado a operação como deveria ser. Mesmo funcionando só quatro horas por dias, nós já começamos a perceber um aumento da movimentação de visitantes. Com o funcionamento integral, o interesse turístico na região será ainda maior”, aponta o comerciante e morador Gelsol Nias, de 51 anos.

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