Trânsito ruim no primeiro dia de obras do BRT na Avenida Brasil

Interdição de duas faixas sentido Zona Oeste causou congestionamento pouco depois das 14h

Por O Dia

Rio - Sentado atrás do volante de um dos ônibus que fazem o itinerário Central-Magé, o motorista Wallace Aguiar, de 29 anos, olhava resignado para o trânsito congestionado à sua frente. Na tarde de ontem, ele era um dos muitos condutores presos no congestionamento da Avenida Brasil.

Obras no trecho entre Manguinhos e Caju vão durar quatro meses. Asfalto será substituído por laje que sustentará a pista de concretoAlexandre Brum / Agência O Dia

O tráfego no local — que pela manhã já estava ruim nas pistas que seguem em direção ao Centro — ficou ainda mais complicado quando, pouco depois das 14h, técnicos a serviço da Prefeitura do Rio interditaram duas faixas da via sentido Zona Oeste, entre os bairros Caju e Manguinhos, para dar início à implantação do corredor BRT Transbrasil num trecho de 350 metros — meia pista no sentido Centro também teve o tráfego interrompido.

“A partir de agora, é importante ter ainda mais paciência. Sei que eu e os passageiros ficaremos mais tempo retidos aqui. O trajeto entre a Central do Brasil e Magé costuma ser feito em 1h10. Enquanto essa obra estiver em andamento, esse tempo vai se estender para, pelo menos, duas horas. Principalmente nos dias mais complicados, como segunda e sexta-feira. Só espero que não demorem muito para terminar.”

A inquietação de Wallace tem uma resposta pronta: quatro meses serão necessários para que o asfalto do trecho interditado seja retirado e substituído pela laje que vai sustentar a pista de concreto que será utilizada pelo ônibus BRT. A obra, que ligará Deodoro ao Centro, está orçada em R$ 1,416 bilhão e deverá ficar pronta até o fim de 2016.

“Esta é uma parte crítica da obra, uma vez que o solo neste trecho é mais mole e precisa ser substituído por uma estrutura que suporte a pista de concreto. É um trabalho complexo e que exigirá mais tempo. Enquanto isso, é recomendável que os motoristas busquem vias alternativas. Sobretudo nos horários de tráfego mais intenso”, sugeriu o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto.

Entre as rotas alternativas à Brasil sugeridas pela prefeitura estão as Avenidas Leopoldo Bulhões e Democráticos, além da Rua 24 de Maio.

A interdição provocou retenção que se estendeu até a Linha Vermelha, próximo à Rua Bela, em São Cristóvão. O trânsito não chegou a parar totalmente, mas o congestionamento e a lentidão para avançar na via incomodaram os motoristas.

“Tudo bem que façam obras, mas poderiam levar em consideração o transtorno para quem utiliza a via. Sei que, a partir de hoje, perderei mais tempo por aqui”, reclamou o metalúrgico Carlos Alberto Ferreira, 45 anos. 

Linha Vermelha também teve engarrafamento

Os problemas para os motoristas que passaram pela Avenida Brasil ontem começaram bem antes da interdição de parte da via — só que no sentido contrário. Logo pela manhã, o congestionamento era grande para quem seguia em direção ao Centro e também à Ponte Rio-Niterói. Isso porque a pista central ficou fechada para a preparação da obra. Para escapar, muitos condutores escolheram a Linha Vermelha como alternativa. No entanto, por conta do grande volume de veículos, ela também ficou com o trânsito engarrafado — houve reflexos até na Via Dutra. O tráfego só começou a melhorar a partir do início da tarde.

“A situação já estava ruim bem cedo. Agora, voltando pela Brasil, também acabei preso neste congestionamento. Além de um bom carro, acho que vou precisar de mais paciência”, concluiu o técnico em informática Wanderley Guimarães, de 35 anos.

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