Não é o primeiro registro de ataque a carros da Ampla que ocorre em Niterói

Funcionários da concessionária ficaram reféns de traficante depois que queda de energia queimou aparelhos do criminoso

Por O Dia

Rio - Três horas de terror, sob a mira de armas pesadas e ameaças de morte. Dois funcionários da empresa de distribuição de energia Ampla foram feitos reféns, no último dia 10, pelo traficante Thiago Ferreira Ribeiro, o Macaco Louco, porque a falta de luz em uma favela de Niterói queimou alguns aparelhos da casa do traficante. Macaco Louco exigiu que a empresa pagasse o prejuízo que teve com TVs, computador, notebooks e até uma geladeira, ou então mataria as vítimas.

O sequestro, ocorrido por volta das 9h30 na Estrada do Sapê, foi filmado por uma câmera de segurança no carro da empresa e as imagens foram exibidas ontem pelo SBT Rio. Nelas, um traficante ameaçou: “Abre a porta, senão te dou um tiro na cabeça.” Logo depois, os funcionários foram obrigados a conduzir o carro para um matagal dentro da comunidade.

Câmera instalada no carro da concessionária filmou bandido ameaçando equipe de trabalhadores. Macaco Louco teria comandado a açãoReprodução Vídeo

“Eles (os bandidos) falaram por celular com o nosso supervisor e ficamos, eu e meu colega, na expectativa de que fosse pago o dinheiro exigido. Três horas depois, a Polícia Civil chegou para nos libertar e os traficantes fugiram. Foi um alívio, mas também colocou nossas vidas em risco. Imagina se houvesse reação e tiroteio?”, questionou um dos empregados da Ampla, que ainda evita transitar pela região do Sapê.

O amigo dele, traumatizado, não quis conversar com o DIA sobre o ocorrido. Porém, um parente contou que ele é pai de duas crianças pequenas e precisa trabalhar, mas está com receio de voltar às ruas. “Ele está morrendo de medo. Até entendo que a empresa não tenha pago o resgate, mas ele (o funcionário) não tem condições de dar declarações sobre isso e nem de fazer reconhecimento caso algum bandido seja preso. Está muito abalado”, contou o familiar. Ainda segundo o parente, a vítima vai precisar de tratamento psicológico para voltar a trabalhar normalmente.

O caso não é o primeiro ataque a carros da empresa em Niterói e São Gonçalo. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), nos últimos meses, três carros da empresa foram abordados por homens armados na Zona Sul de Niterói. Em pelo menos um dos ataques, o veículo foi levado pelos ladrões, possivelmente para ser desmontado para a venda de peças.

Em nota, a Ampla informou que “registrou o caso (do sequestro) na delegacia e tomou as medidas cabíveis para a preservação da segurança dos funcionários.”As investigações estão a cargo da 75ª DP (Rio do Ouro).

Macaco Louco teria comandado a açãoDivulgação

Recompensa por prisão

Nascido em Niterói há 26 anos, Thiago Ferreira Ribeiro, o Macaco Louco, se envolveu com a facção Comando Vermelho na cidade vizinha de Maricá, na Região dos Lagos. Além de integrar o tráfico de drogas, ele é foragido da Justiça por assalto à mão armada.

O serviço Disque-Denúncia (2253-1177) oferece R$ 1 mil de recompensa por informações que levem à prisão dele. Há três mandados de prisão pendentes contra o acusado.

A mando de Macaco Louco, comparsas pararam o carro com os funcionários da Ampla. “Você é da Ampla?”, perguntou o bandido antes de entrar no carro. Depois de embarcar, ele obrigou os funcionários a segui-lo. “A m... que os caras da Ampla fizeram com nós (sic). Queimou a televisão do chefe. Não vou fazer nada com vocês, não, mas vocês vão ligar pro chefe”, ordenou o traficante.

Chegando na favela, o traficante ficou desconfiado de que o carro da Ampla poderia ser rastreado. “Aí, esse carro tem rastreador, alguma coisa, chip?”, perguntou o criminoso aos funcionários.

O DIA entrou em contato com a Polícia Civil para saber sobre as investigações e se, a partir das imagens e retratos falados, foi possível identificar algum bandido. Até o fechamento desta edição, no entanto, não houve resposta.

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