Grupo defende intervenção militar durante ato em Copacabana

Minoria na manifestação, eles pediram até ajuda dos Estados Unidos para 'salvar' país do comunismo

Por O Dia

Rio - "Tinha 12 anos de idade quando eles tomaram o poder pela primeira vez. Dizem que teve tortura, mas ninguém da minha família foi machucado". A frase é da aposentada Nilza Quintanela, de 62 anos, que saiu de Saquarema para participar do protesto contra o governo Dilma Rousseff (PT) na manhã de hoje, em Copacabana. Ela faz parte do grupo minoritário que pediu a intervenção dos militares para tirar a presidenta do poder. Com cartazes e faixas, eles pediram até a ajuda dos Estados Unidos para "salvar o país do comunismo".

Nilza (esq.) e Vera defenderam intervenção militar. 'Dizem que teve tortura, mas ninguém da família saiu machucado'Leandro Resende / Agência O Dia

Para Nilza e sua irmã Vera, de 60 anos, apenas a volta das Forças Armadas poderá "salvar o Brasil". "Ué, tinha arbitrariedade? Tinha sim, ora. E não poderíamos nos manifestar contra se eles voltassem. Não precisaria", argumentou. O consultor comercial Fabiano Matos, 24 anos, passou pelo local, leu o cartaz e criticou. "Esse tipo de cartaz depõe contra o movimento", disse ele, que está no Rio vindo da Bahia, a trabalho.

Morador de Oswaldo Cruz, Marlon Aynes, de 35 anos, pagou do próprio bolso uma faixa em inglês, que dizia, em tradução livre: "Exército, Marinha e Aeronáutica. Por favor: nos livrem mais uma vez do comunismo." "É simples: eles entrariam, ficariam dois anos e pediriam novas eleições. Eu procurei estudar, a revolução foi assim". Questionado do porquê da última passagem dos militares ter durado 21 anos, colocou a culpa na guerrilha. "Procure estudar... A revolução ia terminar, mas não deixaram".

'O governo militar está estipulado na Constituição', disse Watson CravinhosLeandro Resende / Agência O Dia

Nas redes sociais, um internauta postou uma imagem comparando os dizeres de um cartaz empunhado em 1964, quando os militares depuseram o presidente João Goulart e instauraram um regime que durou 21 anos, e outro empunhado nesta manhã, na Avenida Atlântica. As frases eram as mesmas: "O Brasil não vai virar Cuba". Mas engana-se quem pensa que apenas os que viveram aqueles anos defenderam o retorno dos militares. "Nós estamos vivendo um tempo de incerteza muito grande. O governo militar está estipulado na Constituição", afirmou Watson Cravinhos, de 33 anos. Ele veio da Barra da Tijuca com um cartaz escrito "Quem não luta pelo futuro que quer, tem que aceitar o que vier. Intervenção militar já". "Nós ainda somos minoria. Mas o Brasil hoje estimula o homem a trair sua mulher. Os valores têm que voltar", afirmou ele, antes de ser abordado por dois homens: queriam fotos com o cartaz.

Perto da Rua Constante Ramos, Edson Floriano, 47 anos, também posava para fotos com manifestantes. Ele estava com dois cartazes: um pedindo intervenção militar contra "MST e mercenários" e outro com os dizeres "Forças Armadas última esperança". "O mundo mudou. O militar não faria a mesma coisa que fez há anos atrás. Teve erros no passado? Sim. Mas é da natureza militar a rigidez. É a única forma de salvar o Brasil", resumiu.

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