Devotos de São Jorge lotam igrejas para homenagear o Santo Guerreiro

Em Quintino, na Zona Norte, a comemoração começou às 5h da manhã com a tradicional Alvorada

Por O Dia

Rio - Numa missa marcada por agradecimentos, choro e devoção, fiés participaram no fim da madrugada desta quinta-feira da alvorada e da celebração da primeira missa em homenagem ao Santo Guerreiro, na Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, no Campo de Santana, no Centro do Rio. Vestidos de vermelho em sua maioria, eles entoaram com emoção cânticos religioso, orações e até o Hino Nacional. Presença ilustre durante anos, o músico, cantor e compositor Jorge Ben Jor marcou presença e até ajudou na venda de uma rifa em prol das obras da paróquia.

Fotogaleria: Fiéis lotam igrejas no dia de homenagens ao Santo Guerreiro

"Venho com meus pais desde que era pequeno. É mais uma ano de pura devoção a São Jorge. Tem hora que parece que ele está na bateria, regendo tudo na minha vida", disse o animado Ben Jor com exclusividade ao DIA no fim da missa, quando vendia rifas para a igreja. Assediado por fãs, ele conversou e posou para fotos. O cantor disse que participará da procissão ao santo, às 16h, na Igreja Matriz de Quintino, na Zona Norte. Músico mais antigo da Banda do Zé Pretinho, Nelson França Guimarães, de 72 anos, o Neném da Cuíca, também marcou presença na celebração.

Jorge Ben em celebração do dia do Santo Guerreiro na Praça da República Osvaldo Praddo / Agência O Dia

Desde o fim da noite de quarta-feira, devotos de São Jorge já formavam fila na Praça da República, interditada ao trânsito. Em frente paróquia, seguidores de religiões afro-brasileiras se misturavam a católicos e simpatizantes do santo. A movimentação era intensa também de vendedores de flores e fitas. A pista lateral, sentido Candelária, da Avenida Presidente Vargas, também foi fechada ao trânsito.

Pontualmente às 5h, o som do clarin executado por um militar do Corpo de Bombeiros deu início a comemoração. Por dois minutos, fíeis dentro e fora da paróquia do santo silenciaram e depois do toque aplaudiram. Com a igreja lotada por cerca de dois mil fiéis, o capelão do Corpo de Bombeiros, o tenente-coronel Wágner Toledo, convocou os devotos a ser como São Jorge: testemunhas da esperança, guerreiros de paz, lutando por um Brasil fraterno e melhor para todos.

No fim, entoando as músicas Faz Um Milagre em Mim, de Regis Danese, Segura na Mão de Deus e Nossa Senhora, de Roberto Carlos, os fiéis receberam aspersão de água benta de párocos que auxiliaram na celebração. Muitos permaneceram na igreja para se aproximar, tocar e tirar fotos da gigantesca imagem do santo guerreiro.

Do lado de fora, a babá aposentada Isníbia da Costa Trindade, a Níbia, de 82 anos, aguardava pacientemente na fila pela missa das 8h. Paraense de nascimento, mas desde os 17 moradora de Niterói, na Região Metropolitana, cardíaca, hipertensa e prestes a realizar uma cirurgia na vista esquerda, ela não soube enumerar as graças recebidas em anos de devoção a São Jorge.

"Consegui com o meu trabalho e a fé nele, comprar minha casa própria. A primeira coisa que entrou nela foi um quadro imenso de São Jorge. Fora as viagens internacionais que consegui fazer para Espanha e Portugal. Tem que ter fé em Deus primeiro e depois em São Jorge. Ele é guerreiro", definiu Níbia.

Desde o fim da noite de quarta-feira%2C devotos de São Jorge já formavam fila na Praça da RepúblicaOswaldo Praddo / Agência O DIA

Pela primeira vez prestando devoção a São Jorge na paróquia do Centro, a autônoma Marta Florentino do Nascimento, 31, não se incomodava em ser a última de uma das filas às 7h30. Com ela, o filho José Hélio, de três anos. Ele representava o testemunho de fé da autônoma no santo.

"O nascimento do José Hélio foi um dos milagres de São Jorge. Tive complicações no parto. Ele nasceu e prometi que iria trazê-lo. É a primeira vez. Ele é mais devoto do que eu", disse a mãe Marta.

Durante todo dia, serão realizadas no Centro missas campais realizadas de hora em hora, entre 8h e 16h. Outra homenagem especial será o Cortejo Circo de Jorge que levará músicos, artistas de circo e um dragão para as ruas. O Grupo Circo da Silva e alunos da Escola Nacional de Circo vão realizar pela primeira vez uma festa para celebrar o santo guerreiro e a arte circense. A concentração será às 10h, na Praça Tiradentes, e seguirá em cortejo até a Igreja de São Jorge, no Campo de Santana.

A história do mártir católico também será encenada no palco montado na esquina com a Avenida Presidente Vargas. O auto de São Jorge começa às 18h.

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