Acusado de matar alpinista que entrou por engano em favela é preso

Prisão temporária de Alexsandro Martins, 22, foi decretada. Alpinista voltava do Rio para sua casa, em Petrópolis, quando errou caminho e entrou, por engano, em favela de Caxias

Por O Dia

Ulisses Cancela era alpinista e prestava serviço para a PetrobrasReprodução

Rio - A Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) prendeu, nesta sexta-feira, Alexsandro Crizanto Martins, de 22 anos. Ele é acusado de matar o alpinista Ulisses da Costa Cancela, de 36 anos, que entrou, por engano, em uma favela de Duque de Caxias, no último sábado. Após investigação, os agentes conseguiram um mandado de prisão temporária de 30 dias para o acusado.

Sob a mira de armas e com a tensão de ter entrado, por engano, em uma favela, o alpinista teve poucos segundos para tomar uma decisão que mudaria o destino dos quatro ocupantes da HB20 que ele dirigia. E, mesmo sendo alvo de tiros, Ulisses conseguiu mandar a família se abaixar e dar marcha ré no carro, antes de ser atingido na cabeça. Três disparos perfuraram a lataria do veículo, mas bandidos teriam feito mais de 20 disparos.

O alpinista morreu horas depois no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias. “Meu irmão foi um herói. Ele deu ré para salvar a vida dos outros no carro. Os criminosos ainda debocharam ao vê-lo baleado. Não se pode errar uma rua no Rio, senão você morre. Que dizer que 22h30 é horário de toque de recolher no Rio?”, desabafou William Cancela, 29, irmão da vítima, ressaltando que os bandidos chegaram a rir depois de balear o rapaz, segundo testemunhas contaram.

O engano de Ulisses ao parar na Vila do Sapê, poderia ter sido cometido por qualquer motorista que não conhece a região: no local, não há placas informando por onde o condutor está seguindo. Segundo o tio da vítima, Farlen Macieira, Ulisses virou à direita em um trecho da rodovia Rio-Teresópolis (BR-116), às 23h, acreditando que pegaria Estrada Velha da Estrela, em Imbariê.

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O carro andou uns 100 metros quando começaram a atirar contra ele, ainda em movimento. Ulisses mandou que todos se abaixassem e tentou fugir de ré, mas foi atingido na cabeça. O veículo ainda colidiu contra um muro”, contou o tio. No local, havia barricada feita pelos bandidos com troncos de árvores.

Segundo Farlen, criminosos ainda teriam mandado um homem levar Ulisses em um Chevette até o pedágio. “É a degradação humana. Nós já perdemos o direito de ir e vir. Agora meu sobrinho perdeu o direito de viver. O Rio não tem lei e os bandidos têm mais poder que o Estado”, criticou Farlen, acrescentando que Ulisses estava feliz por ter quitado a última parcela de seu carro dias antes.

Ulisses foi morto ao errar trajeto Arte O Dia

O corpo do alpinista industrial e caldeireiro da empresa Elfe Óleo & Gás, que presta serviços para a Petrobras, foi enterrado domingo, no Cemitério de Petrópolis. Ele voltava para a cidade da Região Serrana, onde morava, com a mulher e um casal de amigos, após sair de uma festa da filha de um chefe do trabalho.

A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) fez perícia no local do crime e ouviu o depoimento da viúva. Os amigos devem prestar depoimento até o fim da semana. Segundo as investigações, os bandidos podem ter confundido o carro da vítima com o de rivais.

Tráfico ocupa os dois lados da rodovia

A comunidade Vila do Sapê é dominada por bandidos da facção criminosa Comando Vermelho. Segundo o tenente-coronel João Jacques Busnello, comandante do 15º BPM (Duque de Caxias), a favela não tem tantas ocorrências como as demais vizinhas. Mas não é o que os moradores dizem.

“A região ficou muito perigosa. Os traficantes atuam nos dois lados da rodovia. Temos medo de falar”, contou um morador, que teme ser identificado.

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