Prefeito quer reduzir salário e cobrar pacientes de outros municípios

Nelson Bornier afirma que Nova Iguaçu perdeu repasses federais e não vai conseguir fechar as contas no final do ano

Por O Dia

Rio - O prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier (PMDB), enviará nesta sexta-feira à Câmara Municipal de Vereadores um projeto de lei que prevê a redução de até 30% dos salários dos servidores comissionados e 10% em todos os contratos da prefeitura, entre eles os prédios alugados e o serviço de coleta de lixo. O anúncio foi feito nesta quinta durante reunião de emergência com secretários municipais e lideranças do governo, realizada no auditório da Universidade Iguaçu (Unig), no Centro. A medida será votada na próxima terça-feira e, caso seja aprovada, entrará em vigor já no dia seguinte.

Com a proposta, Bornier espera economizar cerca de R$ 5 milhões por mês, sendo R$ 600 mil só com a folha de pagamento da prefeitura, que tem cerca de 14 mil servidores — entre concursados e comissionados — e gira em torno de R$ 49 milhões.

Prefeito quer cobrar pacientes de outros municípios atendidos no Hospital da Posse e acidentados na Via DutraPaulo Araújo / Agência O Dia

De acordo com o projeto de lei, o prefeito Nelson Bornier e a vice-prefeita Dani Nicolasina terão seus salários reduzidos em 30%. De R$ 19 mil para R$ 13 mil e de R$ 12,5 mil para R$ 9 mil, respectivamente. Já os secretários e subsecretários ganharão 20% a menos. Passando dos atuais R$ 13,5 mil para R$ 9,5 mil e de R$ 9 mil para pouco mais de R$ 6 mil. Os demais servidores serão descontados em 15%.

Segundo Bornier, o município perdeu cerca de R$ 85 milhões de repasses federais só no primeiro semestre do ano, o que representa 30% a menos do valor recebido, comparado ao mesmo período no ano passado. Só na última semana, ele diz ter recebido R$ 1,7 milhão a menos dos repasses de FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

“Nenhum município da Baixada vai conseguir fechar as contas no final do ano. Nem o governo federal fechou, a presidenta precisou pedalar. Não temos a ‘bicicletinha’ que ela usa todos os dias”, ironizou o prefeito referindo-se ao episódio das manobras fiscais feitas pelo governo federal para aliviar, momentaneamente, as contas públicas. O caso deve ser julgado pelo Tribunal de Contas da União dentro de 15 dias.

Outra medida prevista no projeto de lei é a cobrança pelos procedimentos médicos de urgência e emergência, no Hospital Geral de Nova Iguaçu, o Hospital da Posse, para os pacientes de outros municípios ou para os acidentados na Rodovia Presidente Dutra. “O Governo Federal tem 11 hospitais no Rio de Janeiro. Gasta R$ 20 milhões com cada um. Para o Hospital da Posse repassa apenas R$ 9,2 milhões. Não é correto tirar o dinheiro daqui para manter os moradores de outros municípios. Não podemos pagar esse preço”, contesta Bornier.

De acordo com o Diretor Geral do Hospital da Posse, Joé Gonçalves Sestello, a unidade disponibiliza de 25 a 30 médicos plantonistas por dia, em nove especialidades diferentes. Eles atendem em média 12 mil pacientes por mês. “De 40 a 50% são de fora da cidade. Vamos mandar as faturas para os municípios e para a Concessionária Nova Dutra. Eles terão de pagar o preço pelo atendimento”, afirma.

Servidores sem primeira parcela do 13º

Os efeitos da crise econômica nacional também se refletiram no bolso dos servidores. Eles ainda não receberam o pagamento da primeira parcela do décimo terceiro, prevista inicialmente para junho. “Sabemos que o prefeito tem o prazo legal o para depositar a primeira parcela até novembro. Mas, como sempre recebemos no meio do ano criou a expectativa. Quando não saiu foi frustrante, contávamos com este dinheiro para pagar as contas”, contou a professora da Escola Municipal de Educação Infantil Jardim Europa, Lidiane Lobo.

Bornier segue o exemplo de outros municípios da Baixada que também criaram medidas para enxugar as despesas e tentar driblar a crise. Em julho, o prefeito de São João de Meriti, Sandro Matos (PDT) reduziu 30% de seu próprio salário, na época R$ 24 mil e de 10 a 30% dos servidores de acordo com a faixa salarial. Ele também demitiu cerca de 1 mil comissionados. Já o prefeito de Nilópolis, Alessandro Calazans (PMDB) reduziu, em junho, o seu próprio salário em 15% e dos assessores em 10% .

Últimas de Rio De Janeiro