Manobrista de estacionamento em Ipanema é acusado de agressão

Engenheiro e psicóloga contam que foram vítimas de brutalidade física e verbal no estabelecimento

Por O Dia

Rio - Era apenas uma ida corriqueira ao shopping para os amigos Ricardo Toledo, 55 anos, e Marcia Maria Custódio, 49. Mas, segundo eles, a noite da última segunda-feira foi de terror ao sofrerem agressões físicas e verbais por parte de um manobrista do estacionamento do Fórum de Ipanema, de responsabilidade da empresa Estapar, onde deixaram o carro.  Eles foram fazer compras em um centro comercial próximo e, quando retornaram, notaram uma marca em uma das portas traseiras. Eles contam que, ao reclamar com os funcionários, receberam de voltas grosserias. Ao tentar argumentar, Ricardo afirma que foi espancado por um dos agentes da empresa com socos e chutes em várias partes do corpo. 

Foto flagra o momento em que manobrista avança com uma barra na mão direita em direção ao engenheiroAcervo Pessoal

Segundo a psicóloga e o engenheiro, tudo começou por volta das 19h40. Eles voltaram do shopping para buscar o carro quando notaram o arranhão na lataria. Segundo Ricardo, o funcionário, identificado apenas como Mateus, negou de forma agressiva que o arranhão tivesse acontecido no estacionamento. "Eu pedi que ele me levasse ao local onde o carro ficou estacionado e notei que não havia a proteção de espuma na parede, mas sim várias marcas de carros".

Engenheiro e psicóloga tiraram foto da marca na maçaneta do carro Acervo Pessoal

Ricardo e Márcia pediram que o funcionário acionasse a gerência, mas, contam, receberam um não como resposta. "Ele já veio falando grosseiramente comigo. Que não iria chamar gerente nenhum. O Ricardo foi tentar me ajudar e o que aconteceu logo depois foi uma loucura, um absurdo", recorda Márcia. "Eu mostrei ao rapaz que havia várias marcas na parede de carro e pedi que ele chamasse o gerente dele. Ele se exaltou, tentou me dar uma cabeçada. Como eu fiz curso de defesa pessoal, me protegi com os braços, e o nariz dele resvalou no meu corpo. Veio então um segundo funcionário, que me segurou, e o Mateus começou a me socar ", contou.  "Eu caí no chão e ele me atingiu com vários chutes. Estou com lesões no braço esquerdo, na perna esquerda e um corte no rosto em razão do murro que eu levei", completou. 

Marcia conta que a confusão ganhou contornos ainda mais dramáticos quando o manobrista pegou uma barra de ferro para agredir o amigo. "O rapaz poderia ter matado o Ricardo caso não aparecessem outros funcionários e um segurança do Forum, que impediram que o pior acontecesse. Eu não pude fazer nada, o rapaz tem 1,90m e parecia ter mais de 100kg. Jamais na minha vida imaginei passar por tamanha barbárie. Nunca vi nada tão monstruoso", desabafou.

Atendimento precário no IML 

A polícia foi acionada e os envolvidos levados à 14ª DP (Leblon). Depois de ouvidos, foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), já na madrugada de terça-feira.  Segundo Ricardo, o médico se recusou a prestar atendimento, alegando o horário avançado. "Você se sente num país onde nada funciona. Você é correto e não tem nada em conta.  Ao passar por tudo isso você fica com a alma ferida. É um sentimento de muita tristeza", lamentou o engenheiro. Abalado, ele estuda a possibilidade de abrir processo contra a Estapar. "Vamos aguardar se a empresa irá comparecer à audiência que vai acontecer na delegacia. Se não houver acordo, vamos entrar com processo na Vara Criminal", alertou.

O engenheiro mostra as marcas das agressões em um dos braços e na cabeçaAcervo Pessoal

Procurada pela reportagem do DIA, a Estapar Estacionamentos limitou-se a informar que está apurando o caso.

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