Comunidade sem abastecimento em pleno Engenho Novo pega água em rio

'Meu maior sonho é poder tomar banho de chuveiro. Ainda não tive esta sensação em casa. Só de caneca', diz doméstica

Por O Dia

Rio - "Meu maior sonho é poder tomar banho de chuveiro. Ainda não tive esta sensação dentro de casa. Banho, só de caneca.” O desabafo é da doméstica Andréia Carina Rodrigues, de 43 anos. Moradora da comunidade de Ouro Preto, no Camarista Méier, no Engenho de Dentro, ela anda de sua casa até a nascente de um rio por mais de dez minutos para pegar água em baldes. A rotina, cansativa, já faz parte de seu dia a dia há 30 anos. Dela e de pelo menos outras três mil pessoas que vivem no alto do morro, onde a água encanada não chega à casa dos moradores.

Para usar água em casa, além de recorrer à nascente do rio, conhecido como Bicão de Ouro Preto, moradores pegam água em poços. Na comunidade, que ganhou uma UPP em dezembro de 2013 e que teve um surto de hepatite em 2014, a revolta com a Cedae é grande.

Mulheres lavam roupas em tanques improvisados próximo ao rio para evitar carregar mais água até as casasLeitor

“A Cedae diz que faz manobras para o abastecimento, mas é mentira. Só há água, e precariamente, na parte de baixo do Camarista Méier. Estamos cansados de pegar água suja para usar no dia a dia”, desabafou o fotógrafo comunitário André Bezerra, 41 anos, que fez uma denúncia sobre o problema no Ministério Público do Rio em 19 de janeiro. A denúncia, segundo ele, foi aceita e encaminhada à 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural da Capital.

A Cedae informou que o Camarista Méier é abastecido por meio de bombas. “O problema está restrito a uma parte da comunidade, conhecida como Ouro Preto, construída em local sem rede. Para solucionar o problema, a companhia colocará em ação o programa de Saneamento nas comunidades pacificadas, que levará, por meio de parceria com empresas, o serviço de água e esgoto para estas regiões.”

Ainda segundo a nota, o Camarista Méier está inserido entre as comunidades desta primeira etapa do projeto. “Vale ressaltar, que a companhia vem operando e realizando redimensionamento da elevatória, pressurização de rede para atender a comunidade e adequação das redes de distribuição em diversas partes do morro e que continuará realizando ações para ampliar o abastecimento até o programa de saneamento ser implantado”.

Quanto ao Programa de Saneamento nas Comunidades, nas áreas pacificadas, o setor privado ficará responsável por implantar e operar no serviço de água e esgoto. A Cedae fornecerá a água à empresa, que será a responsável por distribuir, operar e comercializar entre os clientes. “Da arrecadação, 5% serão destinados a ações sociais, e outros 5% a investimentos institucionais para a comunidade”, diz a nota.

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