Ataque a carros nas ruas muda a rotina de moradores e comerciantes na Tijuca

Lojas fecham mais cedo na região e motoristas recorrem mais aos estacionamentos

Por O Dia

Nove veículos foram totalmente queimados na madrugada de terçaSeverino Silva / Agência O Dia

Rio - Um dia após a série de ataques a dez carros em cinco ruas da Tijuca, que terminou com nove deles totalmente queimados, moradores e estabelecimentos comerciais da região tentam mudar a rotina. Lojas grandes e pequenas estão fechando pelo menos 30 minutos mais cedo. Segundo eles, a possibilidade de que grupos de milicianos estariam tentando invadir comunidades como o Borel e a Formiga tem gerado preocupação.

"Nas ruas da Tijuca se fala nisso todos os dias: possibilidade de invasão de milicianos em morros na madrugada. Mas há uma resistência grande dos traficantes. Onde isso vai terminar?”, questionou morador, que não quis se identificar. Mães de crianças de escolas da região afirmaram estar redobrando a atenção nas ruas e evitando sair à noite.

Segundo um morador do Morro do Borel, que também não se identificou, os próprios traficantes do local estão sem entender o motivo do ataque aos carros estacionados nas ruas da Tijuca. Outro morador da Formiga garante que a ordem não partiu das favelas. Uma moradora do Morro da Casa Branca — vizinho ao Borel — disse que os ataques acenderam os ânimos de traficantes rivais. Segundo ela, bandidos do Comando Vermelho, que dominam o Borel e Formiga, estariam tentando invadir a Casa Branca, impondo medo aos moradores.

No asfalto, muitas pessoas que deixavam o carro estacionado na rua agora recorreram a estacionamentos. “Meu cunhado já reservou uma vaga para o carro dele em estacionamento e vai pagar R$ 450 mensais. Terei que fazer o mesmo quando tiver outro veículo. Vai doer no bolso”, disse Júlio Cesar Brochado, de 23 anos. Seu Corsa foi queimado na Rua João Alfredo após ele voltar da emergência com o filho recém-nascido. “Acredito que meu carro tenha tido perda total e, somando o valor da franquia mais a revisão do seguro, terei que gastar cerca de R$ 4 mil”, contou.

Segundo o tenente coronel Marcos Vinícius da Silva Mello, comandante do 6º BPM (Tijuca), até domingo a região vai contar com 28 viaturas e quatro motocicletas no horário noturno. “Só na Tijuca circulam atualmente oito viaturas e duas motos. Queremos resgatar a sensação de segurança dos moradores, que foi abalada”, garantiu.

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