CPI das Armas faz 47 recomendações

Relatório final será entregue ao estado e MP para evitar roubo, furto e desvio de armamento das forças de segurança

Por gabriela.mattos

Rio - O relatório final da CPI das Armas, com 47 recomendações e sugestões para serem seguidas pelo governo estadual, foi aprovado ontem pela Alerj. O documento destaca a necessidade de recriação da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), considerada pelos deputados da CPI como fundamental para reprimir e investigar o roubo de armas no Rio. A Comissão foi aberta a partir de reportagem do DIA, que revelou investigações da Polícia Militar sobre roubo, furto e desvio de armamento de unidades da corporação.

O relatório será encaminhado ao governo estadual, à Secretaria da Estado de Segurança, às polícias Civil, Militar e Federal e ao Ministério Público. O presidente da CPI, deputado Carlos Minc, disse que os membros da comissão entregarão semana que vem, em mãos, o relatório aprovado ao novo secretário de Segurança, Roberto Sá.

CPI das Armas faz 47 recomendaçõesBanco de imagens

“Ele poderá avaliar a conclusão das recomendações da CPI, para fazer o dever de casa para controlar as armas no Rio de Janeiro”, afirmou Minc. Outras propostas aprovadas foram o fim do controle manual das armas dos paióis da PM, com a informatização do sistema; a instalação de câmeras para monitorar os paióis de armas das forças de segurança, e medidas de controle das armas e munições compradas pelas polícias, para que sejam numeradas e com códigos para eventual rastreamento, em caso de roubos ou desvios.

Instalação de câmeras para que haja maior controle na retirada e entrega

A instalação de câmeras nas unidades da PM foi proposta para evitar problemas com o roubo de 36 pistolas de dentro do Quartel-General da PM, no Centro. A situação apontada pelo relatório final é de descontrole do uso do armamento do setor de segurança. Nos dez anos analisados pela CPI das Armas, de 2005 a 2015, os deputados constataram o roubo, furto ou sumiço de 645 armas da PM e de 1.016 da Polícia Civil.

A principal fonte de desvio constatada, porém, foi nas empresas de segurança privada em atuação no estado: 17.662 armas foram roubadas, furtadas ou perdidas. De um total de 58.476 armas, cerca de 30% de propriedade das empresas – que são controladas pela Polícia Federal – desapareceram. “São armas que vão parar nas mãos de criminosos, e algumas dessas firmas de segurança privada parecem ser fachada do tráfico de armas”, criticou o deputado Carlos Minc.

Os deputados aprovaram a sugestão de Minc para criar uma Comissão de Representação para fiscalizar o cumprimento, por parte do governo do estado, das 47 recomendações e sugestões aprovadas ontem pela Alerj.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia