Um Pouco de História: Os costumes dos enterramentos pelo Brasil

Os diferentes rituais no século XIX

Por O Dia

As diversas formas de tratar os mortos e fazer o enterramento nas sociedades humanas sempre estiveram ligadas ao divino, ao sagrado e como será a sua vida pós morte. Assim acontece no judaísmo, no islamismo, no hinduísmo, no budismo e no cristianismo. A forma de preparar o morto para o encontro celeste ou com a ‘Divindade Maior’ de cada religião é que faz a diferença no processo de enterramento.

Segundo relatos do pintor francês Debret, no século XIX, “distinguem-se nos serviços funerários brasileiros, dois tipos de esquifes para exposição e transporte dos corpos que são em geral enterrados com o rosto descoberto. O dignitário sendo homem rico é depositado num caixão fechado por uma tampa de charneira. O citadino de medíocre fortuna é transportado em caixão sem tampa".

Tela pintada por Debret trata a questão do enterramento Debret 1823


A impressão de que ao menos nem todos são enterrados em caixões é reforçada pela descrição e Debret. Segundo ele, exige locação temporária não somente da cadeirinha forrada de damasco, mas ainda do pequeno caixão enfeitado com ramalhetes de flores artificiais e da coroa de folha fornecida pelo armador. Terminado o enterro todos os acessórios eram devolvidos.

Durante o período colonial o ritual funerário, instituído pela Igreja Católica, pouco guarda dos rituais praticados nos dias de hoje. Os fiéis daqueles tempos tinha em seu imaginário imagens referentes à sua morte, que baseado na doutrina cristã alimentava a ideia de céu, purgatório e inferno. Desta forma, a Igreja controlava os costumes e a vida dos seus fiéis.

De acordo com as posses, estabeleceram-se diversas práticas. A Igreja possuía um espaço sagrado e ser enterrado dentro dela com seus jazigos sob os assoalhos no altar-mor, ou ainda em pequenos altares laterais adquiridos pelo próprio falecido. Assim era também nos primeiros séculos do cristianismo.

Acreditava-se que enterrado no local sagrado estaria mais próximo de Deus, tendo a garantia da salvação de sua alma. Nos preparativos do ritual era determinante o local de seu sepultamento, seu vestuário, velório, cortejo e o número de missas para salvação de sua alma.

Mas ainda no século XIX esta prática começa a mudar. Campanhas higienistas vindas da Europa chegaram a conclusão de que os sepultamentos feitos dentro das igrejas prejudicavam a saúde das pessoas, que estariam expostos há contágios diretos. Havia mau cheiro e usava-se muito os incensários. Nas igrejas da Baixada Fluminense eram comuns estas práticas.

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