Por douglas.nunes

Líderes da Igreja Católica - que não costuma anunciar apoio oficial a candidatos à Presidência da República -, tendem a apoiar no segundo turno a presidente Dilma Roussef (PT) ou anular o voto, caso realmente Marina Silva (PSB) seja a outra concorrente. Especialistas avaliam que os grupos antipetistas na Igreja não deverão votar em Marina por ela ser evangélica. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a principal entidade da hierarquia católica no País, realizará hoje, em Aparecida (SP), debate com oito presidenciáveis. Temas como o aborto e o casamento gay deverão ser lembrados. Embora os católicos não assumam uma posição oficial, os chamados “progressistas” da Igreja votam normalmente em candidaturas mais à esquerda.

Desde os anos 1980 esses votos foram, principalmente, para o PT. Os “conservadores” tendem sempre a se opor ao PT e, nos últimos anos, optam pelo PSDB. Na eleição de 2010, fizeram campanha contra Dilma, afirmando que ela defendia o aborto e o casamento gay. Hoje, grupos ligados à Pastoral da Juventude apoiam também o Psol. Assim, no primeiro turno, correntes católicas votarão em Dilma, Aécio Neves e Luciana Genro. “No segundo turno, não acredito que os antipetismo seja tão forte o suficiente para arrastar o voto conservador para uma evangélica”, diz o professor de Teologia Manoel de Godoy, diretor do Instituto Santo Tomáz de Aquino (MG). “A opção antipetista não oferece segurança. Creio que esse grupo adotará a posição do mal menor, que é um princípio da Igreja e vem de São Tomáz de Aquino. Tenderão para a Dilma ou anularão”, diz. 

Neca propõe ‘enfrentar sindicatos’

Uma das coordenadoras do programa de governo da presidenciável Marina Silva (PSB), a acionista do banco Itaú Neca Setúbal defendeu ontem, em um encontro com empresários na Amcham, em São Paulo, a necessidade de “enfrentar o sindicato dos professores”, tido por ela como “corporativista de forma exacerbada”. Para Neca, falta trabalhar por resultados na educação. Também educadora, ela depois contemporizou. Falou sobre a falta de professores, a necessidade de melhorar a gestão e de manter um bom diálogo com os sindicatos. “Afinal, a culpa da falta de qualidade no ensino público não pode recair apenas sobre os professores”.

Deputados tristes

Membro da coordenação da campanha de Marina, o ex-deputado Walter Feldman está preocupado com os antigos colegas. Afirma que o índice de infelicidade no Congresso é "dos maiores". E culpa a relação com o governo. “Muitos querem sair, mas seguem por inércia política", diz.

PTB arregimenta apoiadores

Apesar de sua candidata ao Senado em São Paulo, Marlene Campos Machado, concorrer com pesos-pesados como José Serra (PSDB), Eduardo Suplicy (PT) e Gilberto Kassab (PSD), o PTB anuncia apoio a ela de políticos como Celso Russomano (PRB) e Frank Aguiar (PMDB), além de Fábio Meireles (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo) e Marcelo Teixeira (ex-presidente do Santos).

Tucano nega acordo e acredita no segundo turno

Ao negar conversa entre tucanos e Marina Silva sobre um acordo no segundo turno, o deputado José Anibal (PSDB-SP) diz acreditar na possibilidade de Aécio Neves disputar a vaga com Dilma. “Para dirigir o Brasil, a pessoa tem de ter convicção. Não é só dizer que vai mudar. Tem de dizer o que, como e com quem. Aécio é o melhor nome para ganhar”, afirma.


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Com Leonardo Fuhrmann

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