Carioca respira ar menos poluído, mostra estudo

MonitorAr registra melhora inclusive no Centro, mas na Região Metropolitana, com 19 municípios, poluição representa uma ameaça à saúde dos habitantes

Por O Dia

Rio - Considerada a segunda cidade brasileira mais poluída em ranking publicado em 2014 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Rio de Janeiro começa a respirar ares menos impuros. De acordo com especialistas, os níveis ainda estão longe do ideal, mas têm avançado. “Analisando os resultados dos últimos15 anos, de modo geral, podemos observar uma melhora nos níveis de poluição do ar”, afirma o coordenador da MonitorAr, Bruno Bôscaro França.

O estudo mostra que as estações de monitoramento da Prefeitura do Rio registram redução de 40% a 70% nas concentrações de dióxido de enxofre (gás emitido na queima de combustíveis em veículos e indústrias), quando comparados os dados da média anual entre 2002 e 2014 para as estações de Copacabana, Centro, Tijuca e São Cristóvão. Já as estações de Bangu e Irajá são as que apresentam maior número de dias com qualidade do ar considerada inadequada ou má. Na maior parte do tempo, o ozônio é responsável pela classificação.

Já de acordo com o último Relatório de Qualidade do Ar, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a Região Metropolitana do Rio, com 19 municípios, apresenta o maior comprometimento da qualidade do ar no estado. Foram destacados no relatório os números das emissões atmosféricas: 77% oriundas de ônibus, carros e veículos em geral e 23% por fontes fixas, como empresas dos setores petroquímico, naval, químico, alimentício e de transformação de energia. Das quatro regiões registradas, apenas a Metropolitana ultrapassou os parâmetros de alguns poluentes.

Estações de monitoramento instaladas pela Secretaria municipal de Meio Ambiente indicam que houve uma redução de poluentes no arDivulgação

Com a segunda maior concentração de indústrias e de veículos do país, a Região Metropolitana do Rio fica com a 144ª colocação entre as áreas mais poluídas do mundo, superando a Região Metropolitana de São Paulo, que ficou na 204ª posição. Em 262º lugar, a cidade do Rio só ficou atrás, no Brasil, de Santa Gertrudes (SP), que teve a 175ª posição, entre 1.100 cidades avaliadas em todo o mundo.

Segundo o Inea, as principais indústrias poluidoras do estado são a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). Em setembro de 2015, a Câmara de Vereadores de Itaguaí solicitou ao secretário estadual do Ambiente, André Correa, providências contra CSN, Vale e MRS Logística, responsáveis por grandes áreas no Porto de Itaguaí. A secretaria ficou de notificar — e multar se necessário —as empresas para que a fuligem com partículas de minério de ferro deixe de invadir as casas e incomodar os moradores.

Para o professor Adacto Ottoni, coordenador do curso de especialização em Engenharia Sanitária e Ambiental da Uerj, mesmo com a adoção de políticas de fiscalização, como Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), moradores sofrem por consequência da poluição provocada pelas indústrias no Rio. Para Ottoni, “o licenciamento destinado a essas empresas é frouxo e a fiscalização é pouco rigorosa”, o que leva as empresas a continuarem comprometendo a saúde dos moradores das regiões em que estão alocadas e o ambiente no entorno.

Poluição industrial e de veículos prejudica a saúde nas grandes cidades

Os efeitos da poluição para a vida nos centros urbanos são evidentes. “Na maior parte do tempo o poluente ozônio é responsável por atribuir uma baixa classificação à qualidade do ar. Nesses casos, a população pode apresentar agravamento dos sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta e ainda apresentar falta de ar e respiração ofegante”, afirma Bruno Bôscaro França, do MonitorAr.

Morgana%2C que vivia em Paciência%2C hoje mora na Lapa e sofre com sintomas da rinite%2C causada pela poluiçãoarquivo pessoal

Moradora de Paciência, Zona Oeste do Rio, Morgana Brites, de 22 anos, mudou-se recentemente para a Lapa e já sofre com a grande quantidade de circulação de veículos. “Nunca tive problema respiratório nenhum e comecei a ficar com uma alergia fortíssima”, conta a estudante de Marketing, que passou a sofrer com sintomas de rinite.

Para Ottoni, o problema da baixa qualidade do ar, bem como da poluição e degradação do planeta, deve ser resolvido com boas políticas de gestão sustentável. “Deveríamos focar em políticas de estímulo ao uso de transporte coletivo, no consumo de energia sustentável e no reflorestamento. Precisamos mudar os modelos de desenvolvimento”, explica o professor.

Reportagem da estagiária Rita Costa

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