DE QUEM É A CULPA?

PM e Flamengo trocam acusações sobre quem é o culpado por não conseguir impedir a invasão do Maracanã, além dos tumultos, saques, roubos e agressões

Por RAFAEL NASCIMENTO

Torcedores do Flamengo cercam carro e alguns deles roubam o motorista, perto do Maracanã
Torcedores do Flamengo cercam carro e alguns deles roubam o motorista, perto do Maracanã - REPRODUÇÃO/ TV GLOBO

No dia seguinte aos tumultos, com roubos, agressões e muito vandalismo, dentro e fora do Maracanã, a Polícia e Militar e o Flamengo trocaram acusações sobre a responsabilidade do caos instalado antes, durante e depois da final da Copa Sul-Americana. O Comando de Policiamento de Estádios (Gepe) culpou o programa de venda de ingressos do clube carioca pela perda de controle da situação. Já a diretoria rubro-negra reclamou que o esquema de segurança montado foi insuficiente.

Ao todo, 16 pessoas foram detidas pela PM. Entre os envolvidos na confusão, quatro tiveram prisão preventiva decretada por roubo. Os demais responderão em liberdade ou tiveram suas penas abrandadas após admissão de culpa. Um torcedor que pousou no gramado de paraquedas, sem autorização, antes do jogo foi multado em R$ 10 mil.

Pelo menos, duas pessoas ficaram feridas e foram levadas para o Hospital Souza Aguiar. Ontem, já haviam sido liberadas. Um delas, com traumatismo na face, foi Fábio L. Santos, 35, atropelado no entorno do estádio após o fim do jogo. O motorista, um empresário sergipano do ramo de doces e que mora no Rio desde abril, saiu do carro para tentar socorrer a vítima, mas acabou sendo agredido, roubado e teve o veículo depredado. Imagens da TV Globo flagraram o momento em que torcedores invadem o carro e roubam os pertences do motorista. Os PMs chegam em seguida e dispersam os agressores com bombas de gás e balas de borracha.

Os tumultos e a invasão do estádio por torcedores sem ingresso, que chegaram a derrubar uma grade para entrar, foram anunciados antes da partida pela internet. O reforço da PM, com 650 militares, e a Guarda Municipal não deram conta de reprimir os vândalos. O comandante do Gepe, Major Silvio Luiz, reconheceu que perdeu o controle da situação e disse que o novo sistema de vendas de ingresso do Flamengo dificultou o policiamento.

"São feitas barreiras, onde só passa quem tem ingresso. Mas a pessoa que tem o cartão sócio-torcedor passa e a gente não consegue fazer a checagem se esse cartão está carregado com o ingresso. Todos os torcedores que possuem o cartão e não carregaram o cartão então conseguem chegar até as roletas. Isso gera um grande número de torcedores, que não têm direito de acesso ao estádio, na área das roletas, e aí as confusões se iniciam e isso fica difícil de se controlar", afirma Silvio Luiz.

Em nota, o Flamengo criticou "a mobilização e o planejamento dos órgãos públicos para uma partida como a de ontem". O time, que diz ter contratado 1 mil seguranças, reclamou que o esquema de policiamento "é incomparavelmente menor do que o realizado nos jogos do Mundial de 2014".

DEPREDAÇÃO

O Maracanã também sofreu com o vandalismo. Grades, luminárias, bebedouros e mais de uma centena de assentos das arquibancadas foram danificados. Bares foram invadidos e saqueados. O valor total dos reparos não foi informado pela concessionária do estádio, mas será pago pelo Flamengo, que tinha o mando de campo.

Galeria de Fotos

O ônibus que transportou o time do Independiente foi apedrejado Alexandre Brum / Agência O Dia
Tumulto para entrar no Maracanã, antes do jogo entre Flamengo e Independiente, quarta-feira Alexandre Brum
2017-12-13 - Jogo entre as equipes do Flamengo x Indepiendentes, da Argentina, pela final da Taça Sulamericana - Conmebol 2017, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, Brasil. Foto de Alexandre Brum / Agência O Dia FOTOS Alexandre Brum
Torcedores do Flamengo cercam carro e alguns deles roubam o motorista, perto do Maracanã REPRODUÇÃO/ TV GLOBO

Comentários

Últimas de Rio De Janeiro