Artistas reagem ao fechamento do Ministério da Cultura

Dado Villa-Lobos manifestou sua opinião fazendo trocadilho com letra da Legião: 'Voltamos a viver como a 30 anos atrás'

Por O Dia

Brasília - Apesar da promessa do novo ministro Mendonça Filho (DEM) de que não haverá uma "gestão de choque", a classe artística recebeu com pesar a notícia oficial da extinção do Ministério da Cultura, agora unido à Pasta da Educação. Criado por um decreto de José Sarney em 1985, o MinC era um símbolo marcante da redemocratização, de acordo com Juca Ferreira, ministro do governo Dilma.

O músico Dado Villa-Lobos fez um trocadilho com a letra da canção "Teatro dos Vampiros" de sua banda Legião Urbana para manifestar sua opinião: "Voltamos a viver como a 30 anos atrás. E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas."

"Lamento muito a fusão dos dois ministérios. São lógicas diferentes. Um gestor de uma área para lidar com todos os temas dos dois ministérios tem de ser múltiplo, pois a política que ordena a educação não é a mesma que ordena a cultura, que lida com um lado mais espontâneo, transgressor", afirmou o diretor regional do Sesc São Paulo Danilo Santos de Miranda. 

"Não há risco de descontinuidade, de interrupção nem de censura", disse o ministro nesta quinta-feira, ao ser questionado sobre a junção dos dois ministérios no governo Michel Temer.

O diretor da Bienal de São Paulo pontuou que tudo vai depender do novo mistro da Educação e Cultura, José Mendonça Bezerra Filho. "Acho que ter só um ministério pode garantir um status melhor, mas tudo vai depender do ministro, de como serão alocados os recursos. Não tem mesmo muito sentido manter vários ministérios", disse Luís Terepins. 

Já Lobão apoiou a decisão de Temer: "Uma maravilha! O MinC sempre foi uma excrescência! Muito feliz pela fusão e pelo nome de Mendonça Filho no MEC!"

O músico Paulo Ricardo foi outro: "Independente dos desdobramentos, acho fundamental o corte nesse número absurdo de ministérios. Na minha opinião, o inchaço da máquina é um dos maiores desafios que temos que enfrentar. Há uma simbiose intrínseca entre Educação e Cultura. Se bem administrado, a fusão pode funcionar. Mas, a princípio, sou a favor e estou otimista."

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