Morador de bairro nobre de São Paulo vive 23 anos a mais que o de periferia

Estudo mostra desigualdade entre regiões da capital paulista, como na expectativa de vida, na quantidade de homicídios e de favelas

Por O Dia

São Paulo - Um morador do Jardim Paulista, bairro da região nobre de São Paulo, vive, em média, 79,4 anos, diferença de 23,7 a mais que um habitante do Jardim Ângela, na periferia, onde as pessoas morrem, em média, com 55,7 anos. O dado está no Mapa da Desigualdade da Cidade, divulgado nesta terça-feira pela Rede Nossa São Paulo com o apoio da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).

O levantamento mede as diferenças econômicas, sociais, culturais e de equipamentos públicos existentes entre os 96 distritos da maior e mais rica cidade do país. No caso da idade média ao morrer, o “desigualtômetro” entre o pior e o melhor indicador é de 1,43. Ou seja, um residente do Jardim Paulista vive, em média, 43% a mais que um morador do Jardim Ângela.

A pesquisa também revela que o índice de homicídios é de 1,23 por 100 mil habitantes no caso da Mooca, tradicional distrito de classe média e classe média alta da Zona Leste da capital paulista. No entanto, nas proximidades do bairro, no distrito do Brás, o índice chega a 38,76. A diferença entre o melhor e o pior indicador é de 31,49.

Estudo mostra diferenças sociais entre bairros da periferia e de regiões nobres da cidade de São PauloDivulgação

Na periferia, mais favela e menos árvores

Outro dado que escancara a desigualdade na metrópole é o índice de favelas, que considera a porcentagem de domicílios em favelas sobre o total de domicílios da região. Enquanto na Vila Andrade, bairro que abriga a favela de Paraisópolis, o índice de comunidades é de 50,45, em Pinheiros, região nobre da Zona Oeste, esse índice é de 0,081. A diferença entre o pior e o melhor é de 621,01, o que mostra que na Vila Andrade há 50 vezes mais favelas do que Pinheiros.

A diferença de arborização na cidade também chama atenção no levantamento. Enquanto a região de Santo Amaro tem 16.192 árvores, na região da Sé há 518, uma diferença que deixa o índice do “desigualtômetro” em 31,26. O índice considerou o número de árvores no sistema viário por distrito.

Outro indicador, o de gravidez na adolescência, que considera o número de nascidos vivos de mães com menos de 19 anos, é de 0,887 em Moema , região nobre; e, na outra ponta, chega a 22,88 no distrito de Marsilac, no extremo sul da cidade. A diferença entre o melhor e o pior indicador é de 25,79, ou seja, o percentual de adolescentes grávidas é quase 26 vezes maior na região de Marsilac em comparação com Moema.

De acordo com a instituição, os números do levantamento mostram que as diversas desigualdades são cumulativas. O distrito com o pior índice de gravidez na adolescência, Marsilac, por exemplo, é também o de menor remuneração média por emprego formal.

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