Empresas podem gerar até 9 GW, aponta estudo da EPE

Valor considera geradores instalados em complexos industriais e comerciais, que hoje só são usados no horário de pico. Governo publicou portaria autorizando a realização de chamadas públicas para compra dessa energia

Por O Dia

Rio - As empresas brasileiras têm quase 9 gigawatts (GW) em capacidade instalada de geração de energia que podem contribuir para reduzir os riscos de racionamento no país. A estimativa foi feita pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em parceria com o Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee) e considera geradores a óleo ou a gás instalados em complexos industriais e comerciais no país. Ontem, o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou portaria determinando que as distribuidoras de eletricidade façam chamadas públicas para comprar parte desse volume — que corresponde a cerca de 10% da demanda nacional.

O estudo, divulgado em uma nota técnica intitulada “Geração Distribuída no SIN: Aplicações no Horário de Ponta” foi realizado com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Nele, a EPE compara a demanda de energia no ano 2000, antes do racionamento de energia, e no ano 2014, na tentativa de identificar qual o volume de eletricidade acrescido no sistema com a geração distribuída no horário de ponta de consumo. Como resultado, chega a uma disponibilidade entre 7,3 GW (no verão) e 8,75 GW (no inverno) , com base em dados do ONS, e de 8,8 GW no levantamento com base em dados da Aneel.

“Esse parque gerador constitui uma reserva real do sistema elétrico, que pode ser utilizada em situações críticas a partir de estímulos especialmente orientados para tal. De fato, em tempos de redução da disponibilidade hídrica com a que o sistema elétrico vem sofrendo nos últimos anos em razão de prolongada estiagem, é interessante avaliar se uma quantidade de energia adicional poderia ser disponibilizada por esses geradores e qual o custo dessa energia”, diz o documento. Uma simulação com o uso de 250 MW médios indica custo adicional às tarifas de R$ 125 milhões por mês.

Em portaria publicada ontem no Diário Oficial da União, o MME diz que o preço da energia distribuída comprada pelas distribuidoras vai variar de acordo com a fonte energética. Os gastos adicionais das empresas serão ressarcidos pelo Encargo de Serviços do Sistema (ESS), um dos encargos setoriais que compõem a tarifa de energia no país. Os volumes comprados terão que ser comprovados por medidores individuais.

O uso da capacidade de geração distribuída é uma das medidas emergenciais adotadas com o objetivo de reduzir o risco de racionamento no país. Com a adoção de alternativas como essa, perspectivas de redução do consumo e as chuvas das últimas semanas, o governo vem dando sinais de maior tranquilidade com relação ao ano de 2015. Anteontem, os reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro Oeste estavam em 22%, alta de 1,4 ponto percentual com relação ao início do mês. Ainda é um valor baixo para o mês de março, mas aponta recuperação nas últimas semanas.

A expectativa do ONS é que os reservatórios cheguem ao final de março com 28% de sua capacidade. O ideal, segundo técnicos do setor, é que o nível chegue a 33% no final do período chuvoso, em abril, para garantir a geração hidrelétrica durante os meses de estiagem.

As chuvas têm ajudado a recuperar um dos reservatórios mais afetados pela estiagem no Brasil, o da hidrelétrica Três Marias, em Minas Gerais — o nível do lago, que chegou a menos de 6%, atingiu anteontem quase 20%.

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