Economia cai na retranca

O clima é de Copa do Mundo. Está tudo correndo bem e até mesmo o presidente da Fifa, Joseph Blatter, já admite que a Copa no Brasil “é indiscutivelmente um grande sucesso”.

Por O Dia

No Palácio do Planalto, todos também respiram aliviados: o país fez bonito e entregou o que prometeu. Quanto ao resultado esportivo, tudo ainda depende de Neymar e seus companheiros. Se estiverem num bom dia, podem ganhar da Colômbia e chegar à semifinal, talvez com a Alemanha.

O sonho da torcida é disputar a final no domingo 13 de julho, no Maracanã, contra Messi e Di Maria, e levantar o hexacampeonato em cima da Argentina. Mas certo mesmo, segundo especialistas em pesquisa de opinião, é que, assim que a Copa terminar, brasileiros e brasileiras vão voltar a atenção para a sucessão presidencial. Vai começar para valer o jogo eleitoral.

Na corrida sucessória, porém, a situação do governo Dilma Rousseff não é das mais confortáveis. Se, em 2010, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, era apontado como poderoso cabo eleitoral da candidata do ex-presidente Lula, este ano a política econômica está em xeque. O mercado financeiro a toda segunda-feira revê a taxa de crescimento para baixo e as estimativas mais recentes apontam para uma evolução do PIB de 1% e olhe lá. Enquanto há quatro anos comemorava-se o fato de o Brasil navegar ao largo da crise internacional, hoje o que se vê é uma enorme apreensão diante da falta de ânimo do setor produtivo. A indústria e o comércio estão com o pé atrás.

O governo sabe que o mar não está para peixe. E também sabe que a economia vai pesar na futura escolha dos eleitores. Por isso mesmo, está acionando as armas ao seu alcance para quebrar as expectativas pessimistas dos empresários. Após baixar um novo pacote de desoneração, tratou de manter o desconto do IPI para automóveis, que venceria em julho.

As atuais alíquotas passaram a vigorar até dezembro. Abriu-se mão de arrecadação, na tentativa de reaquecer a venda de veículos – um remédio que funcionou no passado. Mas, agora, há dúvidas. Em junho, o emplacamento de carros, caminhões e ônibus foi 17,27% menor do que em junho do ano passado. “Imaginávamos que a Copa iria afetar o mercado, mas não tão tragicamente”, disse Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave.

Enquanto o setor automotivo não reage, a economia sofre. O segmento representa cerca de 10% da indústria nacional. Os automóveis respondem por 52% dos bens duráveis e o setor de transportes, no qual se incluem os caminhões, tem peso de 30% na produção de bens de capital. Segundo o gerente do IBGE, André Macedo, a queda na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias afeta toda a cadeia industrial, contribuindo para o recuo da fabricação de bens de capital, duráveis e intermediários.

Foi assim que ele explicou o recuo de 0,6% na produção industrial entre abril e maio e de 3,2% em relação a maio do ano passado. Houve forte contração na fabricação de bens duráveis e bens de capital, o que, na opinião do Departamento de Pesquisa Econômica do Bradesco, sugere retração da taxa de investimento também no segundo semestre.

Com a economia na retranca, Guido Mantega que se prepare para sofrer mais pressão do que o técnico Felipe Scolari em véspera de decisão. Se o cenário não mudar, a Fazenda, desta vez, poderá servir como cabo eleitoral da oposição.


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