Falcão faz capa de disco e grava clipe usando um pau de selfie

Cantor diz ter inventado o objeto. ‘Cheguei a criar um que vai por trás’, afirma

Por O Dia

Rio - Vetado em alguns estádios do Brasil por medida de segurança, o pau de selfie insere-se no disco e no clipe novos do humorista e cantor Falcão. A capa de ‘Sucessão de Sucessos que se Sucedem Sucessivamente sem Cessar’ e o vídeo da balada ‘Você é a Letra X da Palavra Love’ foram feitos pelo próprio cearense com uma câmera GoPro plugada no artefato. Que o artista, ex-estudante de arquitetura, diz ter inventado.

“Eu adoro fotografia, já tinha usado um troço parecido com isso, inclusive um que vai por trás. Na hora de fazer o clipe, peguei uma câmera, rolou um certo malabarismo, mas consegui fazer. Se bem que o meu é um pau mole de selfie”, brinca Marcondes Falcão Maia, dando apoio à proibição do instrumento nos estádios. “É uma coisa pontiaguda, né? Pode até sair no DIA: ‘Torcedor enfia o pau de selfie no c... do outro’.”

O selfie está na moda, o mundo aplaudiu: hoje existem ‘sexselfie’ (após o sexo), ‘pélfie’ (do pé), ‘belfie’ (do traseiro). Que tipo de selfie Falcão criaria? Vem por aí o ‘brega selfie’? “Acho que a próxima moda é o ‘chifre selfie’. Você que é corno tira foto do próprio chifre, ou do flagra!”, sacaneia o cantor, que ainda pretende fazer um clipe no mesmo estilo para cada uma das outras 12 faixas do CD.

Falcão fez a própria capa de seu novo álbum com um pau de selfieDivulgação

O cantor anda sumido do Rio, pelo menos da capital. “Me apresento muito no interior. Em breve vou estar aí. Quem não for corno pode se preparar, porque vai ter vontade de ser!”, anuncia o astro, hoje apresentador do talk-show de humor ‘Leruáite’, exibido pela TV Ceará — e que ele torce para que passe no Rio, pela TV Brasil. “Quero fazer mais televisão no Rio. O Luciano Huck não tem coragem de me levar no programa dele”, alfineta.

O disco novo continua a mesma trilha de “breguice intelectualizada” dos álbuns anteriores de Falcão, com faixas como ‘Prodologicamente’, ‘Quem Nasce Para Tatu Morre Cavando’, ‘Tanto Faz Ser Um, Como Ser o Outro’. Tem ainda duas gozações com clássicos do rock. ‘Smoke On The Water’, do Deep Purple, é zoado com ‘Fumando Numa Quenga’. ‘Like A Rolling Stone’, de Bob Dylan, ganha a sacaneada definitiva com a balada ‘Lasque A Rola Em Tonha’.

FalcãoDivulgação

“Sou fã do Dylan. Só não sou roqueiro porque não aprendi a tocar guitarra. Tenho uma, mas toco mais ou menos”, diz Falcão, sem brincar: ele é realmente fã de nomes como Frank Zappa, Jimi Hendrix, Beatles e Raul Seixas. “Todo disco meu tem uma referência ao rock. No disco novo tem também ‘Tradução Simultânea’, que é uma brincadeira fonética com as canções dos Beatles”, conta.

Ele só não conseguiu até hoje gravar sua versão para ‘Another Brick In The Wall’, do Pink Floyd, ‘Atirei o Pau no Gato’. “A editora que cuida deles proibiu a gravação. Mandei até uma carta para o Roger Waters (ex-líder do grupo), explicando que era uma brincadeira. Nem sei se ele recebeu”, conta o cantor, que é pai de roqueiro: o filho Pedro Maia, 23, fã de Ramones, é guitarrista da banda punk cearense Os Intrusivos.

A ‘técnica vocal’ de Falcão, claro, não tem muito a ver com a dos grandes cantores do rock. Ou da MPB. “Uma vez me levaram para ter aula com uma professora. Ela me deu umas dicas, mas aí falei que era melhor deixar minha voz de taquara rachada mesmo”, diz. Mesmo com o rock no coração, uma das músicas mais pedidas nos shows de Falcão até hoje é a versão em inglês do breguíssimo ‘Eu Não Sou Cachorro, Não’, de Waldick Soriano (1933-2008), ‘I’m Not Dog No’.

O cearense e o baiano dividiram o palco cantando a música. “No começo, ele não gostou. Achou que estava sendo ‘bullyinizado’”, brinca. “Ele só passou a gostar quando um amigo em comum intermediou um encontro nosso.”

Últimas de Diversão