Ícaro Silva vive dois personagens biográficos

Ator interpretará Skunk, o melhor amigo de Marcelo D2, em filme e voltará ao teatro como Wilson Simonal

Por O Dia

Rio - O ator Ícaro Silva viverá dois personagens biográficos, um no cinema e outro no teatro. No longa ‘Anjos da Lapa’, de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, ele será Skunk, o melhor amigo de Marcelo D2, que fundou com o parceiro a banda Planet Hemp. “É um filme gerado há oito anos. O diretor, a equipe, todos são muito apaixonados pelo projeto. Impossível não ser contagiado por esse clima”, conta Ícaro.

O ator na pele de SkunkDivulgação

No longa, com previsão para o primeiro semestre de 2017, D2, além de assinar a trilha , faz a preparação musical dos atores. A história retrata a criação do grupo e será focada na amizade de Skunk e D2, interpretado pelo ator Renato Góes.

Ícaro conta que a banda nasceu da amizade entre D2 e Skunk, assim como o filme, que surgiu da amizade entre o diretor Johnny Araújo e o vocalista do Planet Hemp. “Marcelo disse para o Johnny que estava vivendo o sonho de outra pessoa. Contou a história dele com Skunk”, revela Ícaro.

O músico Skunk, nascido Luis Antonio, morava na Lapa no início dos anos 90. Segundo o intérprete, não há memória gravada do músico, mas o que ele criou com D2 foi “poderoso”.

“Ele descobriu que era soropositivo e, a partir daí, correu contra o tempo para realizar seu sonho: formar a banda. Ele morre um ano depois de realizar o seu sonho. No roteiro, falamos que ele faleceu aos 27 anos”, conta o ator, lembrando que Skunk morreu vítima de complicações em decorrência da doença, em 1994.

O longa também relata o posicionamento do Planet Hemp em relação à legalização da maconha. Ícaro afirma que o filme vai possibilitar que o público conheça outras facetas da banda. “Eles eram plurais. Não cantavam apenas sobre o tema. No caso deles, a bandeira da descriminalização era um caminho para libertação.”

Ícaro Silva%3A 'Simonal foi incompreendido em muitos sentidos. Representa muito como o brasileiro funciona. Tem que ter um bode expiatório'Divulgação

Mas não é só na telona que o ator vai dar vida a uma biografia. Nos palcos, ele interpretará outro músico. Com reestreia para o dia 11 de agosto, ele protagonizará o espetáculo ‘S’imbora, o Musical — A História de Wilson Simonal’.

“É um show em que contamos a história dele através das músicas”, afirma.

O ator também comenta a vida polêmica de Simonal. “Ele foi incompreendido em muitos sentidos. Sem querer limpar a barra, mas ele é uma pessoa que representa muito como o brasileiro funciona. Tem que ter um bode expiatório. Foi atingido por uma energia poderosa de inveja. Esse cara pobre, negro, chegou lá. Ainda vivemos num país racista”, garante o intérprete, acrescentando que Simonal era inquestionavelmente talentoso.

Jovem paulista de São Bernardo do Campo, Ícaro já morou em comunidades. Há mais de uma década, veio para o Rio e, desde cedo, demonstrou talento artístico. Alfabetizou-se aos 4 anos e, aos 6, já tinha escrito seu primeiro livro. “Meu pai era vigia noturno numa biblioteca e nos levava livros emprestados. Ele também lia muito”, lembra o ator, que busca em seus pais inspiração: “Ele é a criatividade e ela, a realizadora. Busco esse equilíbrio.”


Últimas de Diversão