Mauro Ferreira: ‘Tomada' dá choque entre Catto e Kassin

Kassin e os músicos de sua turma geralmente servem melhor a cantores que seguem linha ‘cool’. Catto é a negação do ‘cool’

Por O Dia

Rio - Cantor de fôlego, Filipe Catto é intérprete de tom inflamado. O que talvez explique o choque (não necessariamente maléfico) entre Catto e Kassin, produtor do segundo álbum do cantor, ‘Tomada’, no mercado a partir do dia 8.

Kassin e os músicos de sua turma (como o baterista Domenico Lancellotti e o guitarrista Pedro Sá) geralmente servem melhor a cantores que seguem linha ‘cool’. Catto é a negação do ‘cool’, o que explica o choque. Mas a voz andrógina do cantor é forte o suficiente para enfrentar produção que parece ir contra seu estilo natural.

Filipe Catto regrava canção gay de Caetano Veloso no álbum ‘Tomada’Divulgação / Gal Oppido

Disco que versa sobre amor e sexo fugazes em músicas como ‘Dias e noite’ (música apenas de Catto) e ‘Depois de amanhã’ (boa parceria dele com Moska), ‘Tomada’ cresce nas faixas de maior eletricidade como o rock de tom político ‘Um milhão de novas palavras’ (Fernando Temporão e César Lacerda) e ‘Adorador’ (tema de Catto e Pedro Luís que expõe a alma quente e popular do cantor ao fim do disco).

Em contrapartida, ‘Canção e silêncio’ (Zé Manoel) tem sua beleza romântica diluída no registro de Catto. Já ‘Auriflama’, parceria de Thalma de Freitas com o esritor angolano José Eduardo Agualuza, é faixa que dá liga em ‘Tomada’ pelo toque africano e pela poesia quente. Canção gay de Caetano Veloso, ‘Amor mais que discreto’ se confirma menor dentro da obra do baiano. Catto é maior do que ‘Tomada’.

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