Entrada de Marina Silva na disputa aumenta possibilidade de segundo turno

Marina tem afinidade com o eleitorado jovem e intelectual

Por O Dia

Rio - Praticamente confirmada como candidata à Presidência no lugar de Eduardo Campos, Marina Silva (PSB) entrará na disputa amanhã puxando a eleição para o segundo turno. Se em 2010 foi responsável por levar Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) para a segunda fase de embates, este ano tem chances de estar no segundo round da corrida.

Marina é uma candidata controversa. Desde que entrou para a política, quando atuava com o seringueiro Chico Mendes, oscila entre um perfil “sonhático”, termo que ela criou quando saiu do Partido Verde em 2011, e pragmático, característica evidenciada ao se associar ao ex-governador de Pernambuco no fim de 2013.

Assediadas por políticos e eleitores%2C Marina e a viúva Renata foram aclamadas por militantes da campanhaReuters

Uma das ambientalistas mais reconhecidas do país, Marina foi tachada de ‘ecochata’ quando comandava o Ministério do Meio Ambiente, no governo Lula. Na época, teve embates com Dilma, que comandava a Casa Civil e tinha pressa nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Hoje, Marina promove o discurso do capitalismo verde, ou seja, do crescimento com sustentabilidade. O economista Eduardo Gianetti, seu maior conselheiro na área econômica, defende a volta ao “tripé” econômico: câmbio flutuante, controle de inflação e superávit primário. Mas considera que o crescimento a todo custo pode ser danoso para o país.

“Crescer 7% destruindo o patrimônio ambiental é pior do que crescer 3% preservando o patrimônio ambiental e, na medida do possível, melhorando as condições de vida”, disse em 2013, em entrevista à Folha.

Na área política, Marina alinhou seu discurso ao de Eduardo Campos. Afirma desprezar a política do “toma lá da cá” (que nenhum presidente aboliu desde a redemocratização) e diz que que fará alianças programáticas, com os melhores quadros de cada partido.

Na Rede Sustentabilidade, partido que não saiu do papel, a candidata defendia o fim da reeleição, teto para doações de campanha e possibilidade de candidaturas avulsas, desvinculadas de partidos. Ao se filiar ao PSB, em 2013, essas propostas ficaram em segundo plano.

Marina tem afinidade com o eleitorado jovem e intelectual. Apesar disso, defende posturas conservadoras no campo das liberdades individuais, influenciada principalmente por sua igreja, a Assembleia de Deus, de linhagem evangélica pentecostal. Em diversas ocasiões, afirmou que é contra o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo (apesar de ser a favor da igualdade de direitos civis) e da descriminalização da maconha.

No caso do aborto e das drogas, diz ser favorável a um plebiscito. “Ela não é fundamentalista, pois aceita se subordinar à soberania popular”, diz o aliado deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ).

Para o cientista político Charles Pessanha, da UFRJ, Marina está mais madura politicamente. Por isso, diz que ela pode sustentar compromissos políticos assumidos por Campos, como alianças com políticos que ela se recusava a apoiar, como o tucano Geraldo Alckmin, em São Paulo.

Pessanha prevê, no entanto, que a maior pedra em seu sapato será a relação com os ruralistas. “Essa era a divergência programática mais acentuada com Campos. Mas, se abrir mão dos compromissos com o meio ambiente, ela perde sua personalidade política”, avalia.

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