Ecos da tragédia emocionam Rildo

Brasileiro que revela jogadores no Egito lamenta os confrontos em estádio que deixaram 27 mortos

Por O Dia

Rio - Quando decidiu trocar a ensolarada Califórnia pelo calor sufocante do Egito, o ex-lateral da seleção brasileira e do Botafogo Rildo não imaginava que iria viver de perto o clima de uma tragédia do futebol mundial. No domingo, 27 torcedores morreram e mais de 30 ficaram feridos ao tentarem entrar à força no Estádio Air Defense, no Cairo, antes do jogo entre ENPPI e Zamalek - clube no qual Rildo revela promessas do futebol egípcio. Por um desencontro com o motorista local, o ex-jogador não foi ao jogo, mas assistiu, pela TV, às cenas da barbárie.

Rildo destaca fanatismo do torcedor egípcio e lamenta tragédiaReprodução Internet

“O pai de um aluno meu morreu durante a confusão. Os torcedores que não conseguiram comprar ingressos tentaram entrar de qualquer maneira e a polícia não deixou. É uma tristeza sem tamanho, mas mostra bem o fanatismo do torcedor egípcio. Eles são loucos por futebol e, às vezes, violentos”, afirmou o ex- jogador, há sete meses no Cairo.

Desde que chegou ao Zamalek, Rildo sempre assistiu aos jogos do time com os portões fechados. Uma determinação da Federação Egípcia desde a tragédia de 2012, na qual 74 pessoas morreram e 254 ficaram feridas numa briga entre as torcidas do Al Masry e do Al Ahly, em Port Said.

Na primeira vez em que o campo foi reaberto, ocorreu o pior. Rildo conta que no domingo o mando era do seu clube e que o presidente distribuiu cinco mil ingressos, mas quem não os conseguiu não se conformou.

“A polícia atirou bombas de gás lacrimogêneo, reagiu. O povo aqui é muito violento. Há dois meses tentaram matar o nosso presidente. Foi sorte eu não ter ido ao jogo”, contou.
Apesar do clima bélico entre as torcidas locais, Rildo garante que se sente seguro no Cairo.

“Fiquei surpreso, mas estou tranquilo. Ando nas ruas de madrugada com a minha esposa e não tenho nenhum problema. Eu me sinto mais seguro aqui do que no Rio”, ressaltou Da Costa, como é conhecido lá.

Tragédia no Egito matou 27 pessoasReuters

Mas, desde a tragédia, Rildo recebeu a recomendação de não sair de casa: “Fiquei em casa esses dias, vamos aguardar até o fim da paralisação do campeonato. Não sei o que vai acontecer, mas estou doido para voltar a dar aulas.”

Últimas de Esporte