Jefferson: ‘Começar como titular na Seleção de Dunga será fundamental’

Goleiro, que disputou a Copa, está na lista do novo treinador

Por O Dia

Rio - Aos 31 anos, Jefferson vive o auge de sua carreira e avisa que ela terá duração de, no mínimo, mais quatro anos. Ele é um dos remanescentes do grupo de Felipão na primeira convocação de Dunga e está na expectativa de ser o titular no amistoso de sexta-feira contra a Colômbia. Será o primeiro de muitos passos que o capitão do Botafogo e principal responsável por cobrar soluções para a crise do clube deseja dar até a Copa de 2018, na Rússia. Em papo aberto com o DIA, ele fala da importância de ser chamado no início da reformulação da Seleção, de religião e da vocação para ser goleiro, a qual tentou renegar.

O DIA: Dunga já te disse se você será o titular no amistoso de sexta-feira?

JEFFERSON: Não. O Dunga deixou bem claro que não tem jogador com cadeira cativa. Vou para lá respeitando o Rafael, sem achar que sou o titular absoluto. Vou com a expectativa de buscar a titularidade, mas todos os convocados têm condições para isso. Foi surpresa a convocação, porque não tive contato com ninguém da comissão técnica do Dunga.

O DIA: Qual a importância de estar na primeira convocação de um novo técnico?

JEFFERSON: É um desafio bom e que todo jogador tem que gostar. É uma reformulação, é importante fazer parte logo no início para conhecer a filosofia do novo treinador. Chegou o nosso momento e espero aproveitá-lo.

Jefferson falou sobre carreira e momentoAndré Mourão / Agência O Dia


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O DIA: Se for titular, acredita que estará mais perto da Copa de 2018?

JEFFERSON: Você começar como titular é fundamental. Dentro da nova filosofia e sabendo que o Dunga confia no meu trabalho dará uma motivação a mais. Estive nas primeiras convocações do Mano e do Felipão também, então, tenho certeza que continuarei trabalhando para ser sempre lembrado.

O DIA: Prevê que estará no mesmo nível de hoje daqui a quatro anos?

JEFFERSON: Vivo um grande momento da minha carreira. Tenho 31 anos, estou bem mais maduro e experiente. Sei que essa Copa de 2018 vai ser minha última. Goleiro com 35 anos é bem mais maduro, com bagagem e totais condições de disputar uma Copa do Mundo. Graças a Deus, hoje tenho essa bagagem e vou chegar muito bem preparado.

O DIA: Já sabe como é a maneira de Dunga trabalhar?

JEFFERSON: É preciso ter respeito e entender a filosofia do treinador. Ainda não tive oportunidade de trabalhar com ele, mas, pelas informações que recebi, é um cara sensacional. É claro que tenta blindar ao máximo os jogadores. Mas procura tirar o máximo de cada um e, com certeza, vai exigir muito.

O DIA: Está ansioso para ser treinado pelo Taffarel?

JEFFERSON: A gente não vai só treinar com o Taffarel. Vamos poder aprender muito. Vamos procurar estar atentos para tudo que ele fala, porque tem muito a ensinar. É um cara vencedor. Todo goleiro que for convocado vai amadurecer muito.

O DIA: Você sempre quis ser goleiro?

JEFFERSON: Na minha época, há 15 anos, era difícil alguém querer ser goleiro. Todo mundo queria ser atacante. Eu tinha a vocação de goleiro, mas tentei ao máximo jogar na linha. Quando eu vi que não ia dar mesmo, fui para o gol. Era um meia-atacante brigador, que trombava. <MC1><QA0>

O DIA: Por que goleiro treina mais que o resto do time ?

JEFFERSON: O goleiro é detalhista. Ele precisa passar confiança para o restante do time porque, às vezes, vai apenas uma bola no gol durante o jogo e ele tem que estar bem para defender. Por isso, somos os primeiros a entrar em campo e os últimos a sair. Tem que buscar a perfeição sempre.

O DIA: Se considera perto dessa perfeição?

JEFFERSON: A gente tem que buscar a perfeição com muito trabalho e profissionalismo. Costumo dizer para o pessoal que não temos que levar em conta o clima do jogo, se tem portões fechados ou muitos torcedores. Temos que respeitar o adversário, entrar concentrado e fazer o máximo. Assim, estará cada dia mais perto dela.

O DIA: Qual a importância da religião na sua vida?

JEFFERSON: Eu, particularmente, transformei minha vida. Fiquei mais concentrado e mais profissional. A gente sabe que no futebol existem muitas coisas para tirar nosso foco, como baladas e mulheres. A partir do momento que me converti, vi que essas coisas eram erradas e foquei a minha família. Com certeza, isso facilitou muito minha concentração apenas no futebol.

O DIA: Como se sente sendo o grande ídolo do Botafogo na atualidade?<EM>

JEFFERSON: Estou muito feliz no Botafogo. Desde 2009, venho fazendo um ótimo trabalho. Nunca fui de me preocupar com essa divisão de idolatria. Cada um tem seu espaço. Claro que hoje minha responsabilidade é ainda maior, mas estou aqui para ajudar. Sou mais um, capitão ou não, que deseja ajudar. Fico feliz por estar fazendo minha história no Botafogo.

O DIA: Como tem encarado a grave crise financeira?

JEFFERSON: Não queria amadurecer deste jeito. Sempre procuramos o diálogo com a diretoria porque é a melhor forma de resolver as coisas. Infelizmente, o clube está passando por um momento muito difícil financeiramente. Um clube com a grandeza do Botafogo viver um momento como esse é muito triste. Mas para nós, jogadores, o foco principal é entrar em campo e honrar a camisa.

O DIA: Já rejeitou propostas para sair do Botafogo?

JEFFERSON: Já. Não posso falar o nome dos times, mas já recusamos, sim. Tiveram alguns até há pouco tempo que sabiam que estávamos com três meses de salários atrasados e colocaram proposta na mesa dizendo: “Você já tem para onde ir se sair agora”. Mas eu não trabalho desse jeito. Respeito o Lucas que fez o que está no direito dele. Mas é meu jeito de ser, hoje, não faria isso.

O DIA: Permanecerá no clube no ano que vem?

JEFFERSON: Vou ser bem sincero, tudo depende do projeto e do planejamento. Esse tem sido um ano que ninguém pode falar nada de nós jogadores . A gente tem uns 15, 16 que vão acabar o contrato no fim do ano e, até agora, nada. Não sabem se vão renovar ou sair. Hoje, posso dizer que o futuro de todos está incerto. A gente torce para que a próxima diretoria que vai entrar continue o grande projeto que estava tendo há pouco tempo. Aí, sim, vamos sentar e ver o que será melhor para todo mundo.