Investimento em fundo despenca

Captação líquida dos fundos de investimentos no ano, até o dia 25, soma R$ 9,18 bilhões, bem abaixo dos R$ 103 bilhões verificados no primeiro semestre do ano passado

Por O Dia

Os investidores têm mostrado disposição para investir na Bolsa e comprar títulos emitidos pelos bancos, mas o mesmo apetite não é percebido nas aplicações em fundos de investimentos. Segundo analistas, as incertezas macroeconômicas têm afastado o investidor deste segmento. A captação líquida dos fundos de investimentos no ano até o dia 25 de junho somou R$ 9,187 bilhões, segundo dados da Anbima, bem abaixo dos R$ 103,5 bilhões registrados nos seis primeiros meses de 2013. De fato, o semestre ainda não acabou, mas é muito difícil que o segmento consiga encerrar o período com uma captação próxima da registrada em igual período do ano passado.

No mês, no entanto, a captação líquida está em R$ 17,1 bilhões, o que pode ser uma demonstração de que o segmento dá sinais de que está querendo retomar o fôlego. No ano, a maior retirada foi verificada nos fundos de Renda Fixa R$ 21,2 bilhões, seguido de Multimercados (R$ 20,1 bilhões) e Ações (R$ 6,6 bilhões). Já no sentido contrário, as captações líquidas foram lideradas pelo Referenciado DI (R$ 24,3 bilhões), Curto Prazo (R$ 19,1 bilhões) e Previdência (R$ 10,8 bilhões).

Para o diretor de Gestão de Recursos de Terceiros da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello, a menor captação no período e até a saída verificada em três meses do ano — janeiro (R$ 8,35 bilhões), abril (R$ 9,02 bilhões) e maio (R$ 3,36 bilhões) — reflete as incertezas macroeconômicas, os indicadores de crédito e o “efeito retrovisor”. A economia tem dados sinais de fraqueza e as perspectivas não são otimistas. Relatório do Banco Central divulgado ontem mostra que, pela quinta semana seguida, o mercado reduziu a previsão de crescimento do PIB deste ano de 1,16% para 1,20%. Para 2015, a estimativa recuou pela sexta semana consecutiva, de 1,60% para 1,50%.

Já no caso do crédito, Curvello chama a atenção para o aumento do endividamento das famílias e o crédito mais caro. A autoridade monetária reviu a previsão de crédito ofertado pelos bancos este ano, de 13% para 12%. “O endividamento e a taxa de juro mais alta afastam o investidor desse tipo de investimento”, pondera. Sobre o “efeito retrovisor”, o especialista explica que no início de 2013 os investidores estavam animados com resultado da indústria de fundos em 2012 e foram fazer seus investimentos. No entanto, ao longo do ano o desempenho ficou aquém e o que se viu, foram os investidores saindo do segmento ou deixando de aplicar em fundos. "Em 2012 a indústria de fundo foi muito bem. Teve fundo que registrou rentabilidade de dois dígitos. O mesmo não aconteceu em 2013, foi um desastre e, 2014 reflete isso", avalia.

Para o diretor de Investimentos da Mapfre Serviços Financeiros, Ricardo Bonifácio, a volatilidade dos títulos de longo prazo, inclusive os do governo, como Tesouro Direto, tem levado o investidor a buscar alternativas no mercado. Diante das incertezas e com menos dinheiro disponível, o investidor tem procurado diversificar, investindo em papéis de crédito, que tem isenção fiscal e que também são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Neste cenário, as Letras Financeiras (LFs). Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LFAs) e Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) vem ganhando terreno. “Ao invés de aplicar R$ 2,5 milhões num única carteira, o investidor tem diversificado com crédito”, afirma Bonifácio.

Para Curvello, a divulgação desses produtos de crédito tem levado o investidor a buscar pelo produto final. “O investidor está cada vez mais antenado e vem migrando de fundos para produtos finais", explica. Levantamento divulgado ontem mostra que em maio as LFs, LCIs, LCAs e os Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGEs) representaram R$ 491,9 bilhões no estoque da Cetip, depositária de títulos privados de Renda Fixa e câmara de ativos privados do País. Esse resultado é 26% superior ao apurado no mesmo período de 2013 e se aproxima do estoque de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) registrados na Cetip, que atingiu R$ 566 bilhões, 8% menor do que o de maio de 2013. Isoladamente, o estoque de LFs cresceu 21% no período, para R$ 317,6 bilhões. Ao contrário dos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), que têm liquidez diária, as LFs propiciam planejamento de longo prazo para as instituições financeiras, pois têm dois anos como prazo mínimo para resgate do investimento.

O estoque de LCIs evoluiu 61%, atingindo R$ 117,4 bilhões, e o de LCAs chegou a R$ 31 bilhões, com incremento de 20%. As aplicações são impulsionadas pelo crescente interesse do investidor pessoa física, beneficiado pela isenção de imposto de renda em ambas. Já os DPGEs mantiveram-se estáveis, em R$ 25,9 bilhões, apenas 3% a menos do que o observado em maio de 2013.

Cresce procura por títulos NTN-B

A busca por títulos públicos indexados à inflação (IPCA), NTN-B e NTN-B Principal, totalizou 53,6% da participação das vendas do Tesouro Direto no mês de maio. É o que mostra o balanço divulgado pelo Tesouro Nacional. Os títulos prefixados (LTN e NTN-F), que possuem rentabilidade definida no momento da compra, ficaram em segundo lugar, com participação de 26,3 % do total das vendas.

Os papéis indexados à Selic (LFT) apresentaram participação de 20,1% nas vendas do mês. O número de novos participantes cadastrados no Tesouro Direto chegou a 5.112 no mês. No final de maio, o total de investidores cadastrados atingiu 402.031, um avanço de 14,8% nos últimos 12 meses. De acordo com o perfil dos investidores cadastrados até hoje, 78,7% são homens, 33,1% têm entre 26 e 35 anos e 69,9% moram na região Sudeste.

A participação de operações inferiores a R$ 5 mil no volume aplicado em maio foi de 64,6%. O valor médio por operação foi de R$ 12.885,53.

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