Estado Islâmico põe civis como escudo humano

ONU garante que 500 famílias do entorno de Mossul foram obrigadas pelos extremistas a ocupar escritórios no Centro da cidade. Kirkuk teve atentados

Por O Dia

Bagdá - Em uma tática desesperada e cruel para não perder o controle de Mossul, terroristas do Estado Islâmico (EI) estão obrigando moradores da periferia a se transferir para a ‘capital’ do califado no Iraque para utilizá-los como escudo humano, frente ao avanço das forças da coalizão.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU afirmou que 500 famílias foram forçadas a se mudar pelos jihadistas. “Confirmamos através de distintas fontes que o Estado Islâmico está obrigando as pessoas a deixar seus lares”, afirmou a porta-voz Ravina Shamdasani. 

Soldados da coalizão observam carro carbonizado dos jihadistasEfe

Uma vez em Mossul, os civis são localizados “perto dos escritórios do EI e dos lugares onde operam para que lhes sirvam como escudo humano”, enquanto os que estão na cidade são impedidos de sair. A entidade pediu às autoridades iraquianas que façam com que a proteção dos civis seja prioridade no plano militar para recuperar o controle de Mossul.

A ONU recomendou que o procedimento para verificar as identidades de refugiados, para evitar que entre eles se infiltrem terroristas, esteja exclusivamente em mãos de militares. Além disso, foram recebidas denúncias sobre a detenção de menores, a partir dos 15 anos, porque teme-se que possam ter sido doutrinados para perpetrar atentados.

A ofensiva em Mossul tem gerado retaliações em outros pontos do Iraque. Pelo menos 39 pessoas, entre elas 17 jihadistas, morreram ontem em combates em Kirkuk. O Estado Islâmico tomou o controle de delegacias e segue presente em edifícios do Centro. Além disso, os extremistas perpetraram vários ataques suicidas em uma usina elétrica, onde morreram 16 trabalhadores.

Mal-estar na ONU

Já em relação à Síria, a Rússia continua se estranhando com o Ocidente. “Em vez de estarmos concentrados em evitar que militantes saiam de Mossul e entrem na Síria, organizam uma sessão como esta”, afirmou Alexey Borodavkin, embaixador da Rússia perante a ONU em Genebra, durante o Conselho de Direitos Humanos. O órgão convocou ontem reunião sobre a ofensiva contra Aleppo, que sofreu bombardeio da força aérea russa no qual 500 pessoas morreram.

Borodavkin se referiu à “pausa humanitária” anunciada por seu governo que, segundo disse “tem por objetivo separar a população civil dos terroristas” e deixar entrar os comboios humanitários. Mas as Nações Unidas deixaram claro — tanto por parte do enviado especial para a Síria, Staffan de Mistura, como do secretário-geral, Ban Ki-moon — que as pausas parciais e unilaterais não servem, e que além disso esta cessação de hostilidades não se ajusta ao solicitado pela ONU. “Ao invés de ajudar a lutar contra os terroristas o Ocidente realiza uma guerra de informação para justificar os jihadistas e distorcer a realidade”, concluiu o embaixador.