Trabalhadores cruzam os braços contra ajuste fiscal

Centrais sindicais programaram para hoje paralisação de 24 horas de várias categorias. Terceirização também será foco de atos e passeatas em todo o país

Por O Dia

Rio - Trabalhadores de várias categorias cruzarão os braços hoje, em um protesto nacional contra as medidas do ajuste fiscal do governo e o Projeto de Lei da Câmara 30/2015 (antigo 4.330/04) que regulamenta a terceirização no país. A proposta libera a subcontratação nas atividades-fim de qualquer empresa privada. O movimento foi convocado pelas centrais sindicais CUT, CTB, UGT, NCST, CSP Conlutas e Intersindical. A Força Sindical, segunda maior central do país, decidiu não participar, por ser favorável à regulamentação da terceirização.

Professores e servidores da Universidade Federal Fluminense entraram em greve na quinta-feira e participarão de manifestações desta sexta-feiraDivulgação

A paralisação de 24 horas seguirá os moldes do ato que ocorreu no dia 15 de abril, logo depois que os deputados aprovaram a matéria que libera a terceirização na Câmara. Atualmente, o projeto está no Senado.

As centrais planejam transformar o movimento em greve geral se o projeto passar no Congresso e for sancionado pela presidenta Dilma Rousseff. As duas principais medidas provisórias do ajuste fiscal, que alteram regras para benefícios como seguro-desemprego e pensão por morte, foram aprovadas esta semana no Senado.

A paralisação afetará as aulas no Rio, já que tanto o sindicato dos professores municipais e estaduais quanto os sindicatos das universidades públicas decidiram suspender as atividades. Os bancários também prometem não atuar nas agências hoje. Já os rodoviários não aderiram ao movimento.

“A questão da terceirização é importantíssima para nós. Recentemente a vice-presidenta do Itaú falou que é a favor do projeto”, afirma Adriana Nalesso, presidenta do Sindicato dos Bancários do Rio.

As centrais programaram atos em diversas capitais do país. No Rio, haverá uma caminhada de diversas categorias partindo da Candelária rumo à Cinelândia, onde um ato unificado ocorrerá às 18h. Sindicatos também promoverão atos específicos ao longo da sexta-feira.

Os professores municipais vão se reunir às 10h na Câmara Municipal. Entre os petroleiros, haverá ações em vários pontos do estado. Os sindicatos da categoria prometem fazer um “trancaço”, ou seja, uma mobilização nas entradas das unidades para buscar mais adesões.

Os enfermeiros não vão paralisar o trabalho, mas farão um protesto em frente ao Hospital dos Servidores. “Também estamos preparando um grande ato na semana que vem contra a terceirização que o Ministério da Saúde está promovendo com os enfermeiros”, afirma Mônica Armada, presidenta do Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro (Sindenf-RJ).

Ministro critica indicativo de greve nas universidades

O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, criticou ontem o indicativo de greve dos professores de algumas universidades federais no país. Para o ministro, a categoria não dialogou com a pasta antes de decidir paralisar as atividades.

“O ministério recebeu as entidades representativas de professores e servidores das universidades federais, nas últimas semanas, mas desde o início elas já informaram ter data marcada para a greve. Isto não é diálogo”, afirmou Janine, em um texto postado em sua página no Facebook.

O ministro ressaltou que as greves acarretam prejuízos à comunidade acadêmica, aos estudantes e à sociedade, que financia o ensino público.

Ele afirma que o poder público tem lidado, há algum tempo, com a dificuldade de negociar com os sindicatos. “Paralisações de viés combativo só devem acontecer quando não houver outros meios de resolver as questões”, afirmou o ministro, dizendo que o ministério está aberto para negociações.

Reajuste na pauta dos servidores

A precarização do serviço público em geral será um dos pontos levantados pelo funcionalismo no ato de hoje, 15h, na Cinelândia. Os servidores vão denunciar a falta de investimentos em setores como Saúde e Educação. A campanha salarial das categorias federais será intensificada pelos sindicatos.

Os servidores e o corpo técnico pararam as atividades hoje. Eles rejeitam as mudanças nas regras previdenciárias e trabalhistas do governo em tramitação no Senado. Os estudantes das universidades públicas vão marcar presença no ato.

Os entidades vão pedir a punição dos envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras, mas vão defender a estatal. “Esse escândalo não é justificativa para privatizá-la”, enfatizou a coordenadora do Sintrasef, Edna Ramalhosa.

O ato na Cinelândia vai ganhar reforço do protesto promovido por outras entidades sindicais, porém com os mesmos propósito e horário, na Candelária, no Centro. Após a concentração, os manifestantes vão em passeata à Cinelândia pela Avenida Rio Branco.

O descaso em unidades de Saúde do Rio também será levantados. Em especial, a transferência da gestão dos hospitais e institutos federais do Rio para a Ebserh, estatal de direito privado.

“Queremos a manutenção das 30 horas para as categorias do funcionalismo federal e a abertura de concursos”, disse Christiane Gerardo, do Sindsprev.

Últimas de _legado_Economia