Jaguar: Samba do turista doido

Fiz poucas anotações durante o mês em que perambulamos de carro pela Europa. Resultado: embaralhou tudo na cabeça

Por O Dia

Rio - Fiz poucas anotações durante o mês em que perambulamos de carro pela Europa. Um tanto por preguiça e outro tanto porque achava que fatos, datas e lugares marcantes ficariam na memória. Resultado: embaralhou tudo na cabeça. Lembrei da história do Garrincha sobre um amistoso da seleção na Itália: “não me lembro do nome da cidade; foi onde o seu Feola levou um tombo”. E também do ‘Samba do Crioulo Doido’, de Sérgio Porto, que mistura , num samba-enredo aloprado, figuras e fatos da História do Brasil. Célia não aguenta mais me corrigir quando falo sobre a viagem: “não , a história dos chineses foi em Roma, não em Londres”.

Seguinte: nossa chegada coincidiu com a de dois Jumbos da China. Os gigantes eram cor-de-rosa . Será que o vermelho desbotou com o neoconsumismo chinês? Esperamos horas enquanto as autoridades alfandegárias conferiam o passaporte de 800 chineses. Imagina a trabalheira que deu. Desnecessário dizer que pareciam todos iguais. Enfim, foi um mês rodando pelas Oropas, de avião de Rio a Londres, de lá a Roma, Célia, eu e um casal de amigos, Nelson e Ana Luiza. Em Roma alugamos um carro, parando em oito ou nove cidades, não me lembro direito, até Madri. E ainda tendo que ouvir piadinhas sobre os 7 a 1 que levamos dos alemães. Para mim, o pior foi atravessar milhas e milhas de vinhedos, proibido de beber.

Passamos pela cidade onde é produzido o vinho predileto do Chico Buarque, Brunello dI Montalccini. Sádica, Célia só me deixou olhar o rótulo. Meu consolo é que, ao contrário do Rio, em todas os lugares em que passamos serviam cerveja e chope sem álcool de boa qualidade. Não vou encher o saco dos leitores com histórias de turista, sempre as mesmas. O que mais me impressionou na viagem foi uma reportagem de ‘El País’, de 4 de setembro , que li em Córdoba ou Sevilha, não me lembro. O título da matéria sobre a eleição no Brasil: ‘Silva no es profeta em su tierra. La candidata sorpresa de las elecciones brasileñas’. Meu queixo caiu, soube o nome completo: Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima.

E mais: nasceu num lugarejo chamado Breu Velho, a 50 quilômetros de Rio Branco, capital do Acre. E por que não é profeta em sua terra? O sociólogo Elder Andrade, segundo El País, disse que mesmo quando ela era do PT, nunca se interessou pelo estado. Na eleição de 2010 ficou em terceiro lugar. Pasmem. José Serra ficou com 52,18 e Dilma com 23,74 % dos votos. Como podem ver, viajar é educativo.

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