Wilson Diniz: A crise está aqui mesmo no Rio de Janeiro

Massa de jovens desempregados na cidade deve acender o sinal vermelho do governo do estado e dos próximos candidatos a prefeito

Por O Dia

Rio - A socióloga americana Katherine Newman, em ‘Laços que prendem’, mostra que os jovens tendem a retardar a saída da casa dos pais para morar sozinhos em decorrência de crises econômicas, da informalidade do mercado de trabalho e do subemprego. Cita o Japão, em que o ‘jovem’ sai de casa aos 34 anos. Na Espanha em recessão, 50% dos jovens na faixa de 18 a 34 anos estão desempregados e são obrigados a morar com os pais porque não ganham em empregos temporários o suficiente para se sustentar.

Guy Standing, no livro ‘O precariado: a nova classe perigosa’, alerta as autoridades sobre os riscos de surgir uma massa de jovens sem perspectivas de emprego com garantias trabalhistas. Estes jovens são presas fáceis de manipulação política por partidos nacionalistas conservadores. Sem autoestima e sem aparato do Estado, se sentem isolados no meio da multidão. Desiludidos, tornam-se alienados políticos e propensos à raiva descrente com a classe política.

No Brasil em recessão, sem perspectivas de crescimento do PIB e do emprego, o fenômeno do subemprego, da precariedade do trabalho e da informalidade engrossa as filas dos desempregados, segundo a última Pnad. São 466 mil jovens na faixa de 15 a 24 assim. Outros 29% entre 15 e 17 anos procuram vaga, mas não encontram.

No Estado do Rio, a recessão coloca as finanças públicas em colapso. O retrato da crise é visível quando os seis hospitais da rede federal estão sem repasses para fazer pequenas cirurgias. Lojas são fechadas por falta de consumidores. O produto da indústria caiu 11%, e é previsto que 35 mil empregos sumirão com o fim das Olimpíadas.

Esta massa de desempregados na cidade do Rio deve acender o sinal vermelho do governo do estado e dos próximos candidatos a prefeito do Rio, que, ao assumirem em 2017, terão que criar empregos alternativos para os jovens no momento em que se preveem quatro anos de queda da atividade em todos os setores da economia.

É provável que os pré-candidatos a prefeito na cidade do Rio caiam na armadilha de debater temas como Ensino Integral e de mobilidade urbana esquecendo propostas concretas de emprego para os jovens. A crise está aqui no Rio...

Wilson Diniz é economista e analista político

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