Menor morto dentro de unidade para infratores foi enforcado

Segundo a Divisão de Homicídios, quatro jovens assumiram a autoria da morte

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Um adolescente de 17 anos foi assassinado na noite de terça-feira, dentro do Centro de Socioeducação (Cense) Dom Bosco, administrado pelo Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), na Ilha do Governador. Marco Antônio dos Santos Tavares foi encontrado por agentes da unidade do estado enforcado com lençol, numa galeria que dividia com outros 11 infratores.

De acordo com a Divisão de Homicídios (DH), quatro menores teriam assumido a autoria do crime. Foi a segunda morte ocorrida no mesmo abrigo em menos de quatro meses. No dia 26 de março, Renato da Silva Oliveira, 17 anos, também morreu na insituição, agredido por outros dois colegas de galeria.

Vera Araújo%3A “Meu filho único veio para se tratar e o encontro morto”Carlo Wrede / Agência O Dia

Marco Antônio, que morava em Petrópolis, na Região Serrana, teria revelado aos outros adolescentes da unidade o local onde comprou maconha semana passada, quando foi apreendido pela polícia. Os demais jovens, que seriam ligados à facção Comando Vermelho (CV), afirmaram que o ponto de venda de entorpecentes seria da quadrilha rival, ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP). Por isso, teriam matado Marco Antônio.

“Meu filho único nunca foi traficante nem ligado à facção. Era viciado em maconha e foi apreendido pela primeira vez. Um promotor disse que ele foi encaminhado para o Cense para se tratar e agora o encontro num caixão. O estado é culpado por essa tragédia”, desabafou a mãe, Vera Araújo, 47, no Instituto Médico-Legal (IML).

Segundo vizinhos do Cense, que acionaram a Polícia Militar, foram ouvidos gritos dos internos pouco depois do jogo Brasil x Alemanha. Os quatro menores suspeitos prestaram depoimento na DH, na Barra da Tijuca, e foram encaminhados para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Eles responderão por fato análogo ao crime de homicídio.


Superlotação é apontada como causa

O Centro de Socioeducação Dom Bosco tem 182 servidores — a maioria lutando por aumento salarial e auxílio-risco —, e pelo menos 300 menores infratores. De acordo com alguns agentes, as mortes ocorridas no abrigo estariam relacionadas à superlotação. O Degase não confirma.

A assessoria de imprensa do órgão informou que imagens de câmeras instaladas nos corredores e áreas abertas do alojamento, foram encaminhadas à Divisão de Homicídios e para a Corregedoria do próprio Degase.

“A Polícia Civil e a Corregedoria foram imediatamente avisadas do crime. O Novo Degase esclarece que está prestando o auxílio necessário aos familiares da vítima”, diz trecho de uma nota enviada pelo Degase.


Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia