Cadeirante que perdeu ano letivo por panes de bonde tem faltas abonadas

Jovem, que mora no Morro Santa Marta, perdeu pelo menos trinta dias de aula. Moradores sofrem com funcionamento irregular

Por O Dia

Rio - A jovem Brenda Victória Souza, 19, pode retomar seus planos de se tornar uma concurseira no ano que vem. Após reportagem do DIA, a direção geral do Colégio Estadual Amaro Cavalcanti entrou em contato com a mãe da estudante, Josefa Figueiredo, 53, e resolveu abonar as faltas da adolescente, que cursa o 2º ano do Ensino Médio. Anteriormente, a menina, que é cadeirante, havia sido reprovada por faltas por causa das paralisações recorrentes do plano inclinado do Morro Santa Marta, em Botafogo, local onde mora.

De acordo com a Secretaria de Estado de Educação, para que ela não perca o conteúdo exibido durante sua ausência, a unidade escolar preparou atividades autorreguladas, que são planos de estudos acompanhados pela equipe escolar. O planejamento é disponibilizado pela direção e entregue à mãe de Brenda. "Também está sendo definido um calendário especial de provas", diz a nota da secretaria.

Apesar da boa notícia para Brenda, as reclamações dos moradores do Santa Marta sobre o funcionamento irregular do plano inclinado estão longe de cessar. A mãe da jovem acredita que houve justiça na situação da escola, mas critica o funcionamento irregular do transporte.

Brenda Victória Souza%2C de 19 anos%2C com a mãe Josefa Figueiredo e o plano inclinado do Santa Marta%3A sonho de concluir Ensino Médio e se preparar para concursos em 2015 é aMárcio Mercante / Agência O Dia

"Eu ainda quero 'botar para quebrar', eu vou tirar a Brenda de cima desse morro. Não tem condições de viver sem a certeza de ter o direito de ir e vir, eu entrei com um pedido no Ministério público para que o estado nos tirasse daqui. Como ela vai se preparar para a vida desse jeito? Essa situação do bonde virou palhaçada, virou chacota", reclama.

O guia turístico Thiago Firmino relata que as sucessivas panes, além de prejudicar a locomoção de todos os residentes no local, também já lhe causaram prejuízos. "São 788 degraus, estamos falando da favela mais íngreme da cidade. Eu já perdi diversos tours por causa dos problemas no bondinho. Mas isso não é o pior, imagina quem precisa fazer compras ou quem tem alguma deficiência. Não há respeito, é transporte pago com o dinheiro público, precisamos saber até quando esse problema vai se repetir", indigna-se.

A Empresa de Obras Públicas do estado (Emop) afirmou, em nota, está sendo providenciada a troca do antigo sistema operado por onda de rádio por novo sistema eletromecânico. Ainda segundo a empresa, esta alteração vai resolver definitivamente os problemas e estará concluída até o fim deste ano.

"Até lá, as paralisações para manutenção necessária no sistema que ocorriam de quinze em quinze dias as segundas-feiras OU terças-feiras estão sendo substituídas por paralisação de manutenção quando houver necessidade entre 12h e 15h. A Comunidade sempre é avisada por cartazes afixados no bondinho", explica a nota enviada pela Emop.

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